30.9.13

Fim de semana de festa!

Ó pessoas sabem quando dão uma festa em casa e a meio do dia já se podiam ter divorciado 3 vezes, já podiam ter vindo buscar-vos com um colete-de-forças perante os 7 esgotamentos nervosos e o quadro clinico de psico-diversas-coisas confirma-se a cada 2 minutos?

Ora atentem:

Eu e rico marido tentámos manter a calma, aliás combinámos previamente mediante um acordo de cavalheiros que iriamos ter calma e iriamos ser os maiores amigos e juntos iriamos conseguir… até começarem a chegar crianças, MUITAS, de todas as idades! Até começarem a chegar mães, MUITAS, com crianças pelas mãos, MUITAS CRIANÇAS, famílias inteiras. Até ter começado a tocar o meu telefone vezes e vezes seguidas! Até terem começado a tocar à campainha e a telefonar e a chegar ao mesmo tempo, RICAS PESSOAS tão pontuais deus os abençoe meus queridos! Até as MUITAS crianças terem sede colectiva, histerismo colectivo, fome em uníssono, xixis, mãos tremelentes e demasiado pequenas para segurar comida e garrafas e começar a ficar tudo pelo chão… tudo peganhento e eu de rabo para o ar a apanhar coisas e coisas e coisas, UFAAAA!

- Gil vai ali buscar isto… e isto e mais isto e aquilo e vai lá acima e agora vai lá abaixo e mimimimimi! Opá ainda não foste ó que caraças pá! PORRAAAAAA PÁ!
- Ó Julie nãos os deixes fazer aquilo… mas tu não estás a ver? Vai buscar isto, vai ali buscar isto… e isto e mais isto e aquilo e vai lá acima e agora vai lá abaixo e mimimimimi! Opá ainda não foste ó que caraças pá! POOOOOORRA PÁ!

TRAGAM-NOS A BAZUUUUUUUUUUUUUUUUUCAAAAAAAAAAAAA!

Houve momentos Bazuca, houve momentos praia da Normandia e largada de tropas, houve momentos de luta de galos (sim galos, eu nunca serei uma galinha!) houve momentos impróprios para crianças… eu, Julieta, confesso algumas asneiras da boca para fora … mas no fim sobrevivemos e foi até bem divertido!

Claro que fiquei a saber que se calhar foi bom não ter tido rapazes, e ser só mãe de raparigas (muito meninas, assim quase princesas, quase foleiras de tão pirosas!) quando olhei e vi que dois dos convidados traziam uma pistola semiautomática e uma mascara de monstro tipo meia de ladrão de bancos… fiquei pasma, a sério! Mas quem raio dá aquilo a crianças? E ainda os deixam levar para a festa? Depois baixei à idade deles e lembro-me de na altura me ter mascarado de “cow-girl” com coldre à cintura e uma pistola de estalinhos. Ainda assim estremeci! Enfim…

À noite ao arrumar tudo, ao arrastar sacos cheios de garrafas, ter apanhado todo o tipo de comida esmigalhada e colada ao chão da sala do condomínio, vislumbrei-me no espelho do elevador numa das várias descidas e subidas, DE VÁRIAS IDAS à casa do lixo: “Porque é que te metes nisto?”

Sei lá eu! Parece que me passou uma prensa por cima. Primeiro passei toda a sexta-feira a arranjar tudo, depois passei sábado a tentar que tudo se mantivesse impecável, e no domingo de manhã deitei os últimos despojos no lixo, toda afanadinha! 

- Gostaste da tua festa Rosarinho?
- ADOREIIIIIII!

E é assim. O bastante!
Para o ano há mais!





25.9.13

Amigos invisíveis.

Primeiro foi a Rosarinho com a "sua irmã" Carolina com 37 anos. Que algumas vezes "se sentou" no nosso sofá: "Olha mãe, olha a Carolina está ali!"

- Ali onde?
- Ali no sofá, sentada!

MEDO!

Agora é a Mercês. Com a Marina. Assim que recebeu um telefone (de plástico) fez-lhe logo um telefonema: "Sim, Marina... sim... adeus até amanhã!

Parece que amanhã a Marina está cá outra vez.

MEDO!

Eu promovo todas as brincadeiras, as de faz de conta são as minhas preferidas, agora quando inclui gente sentada no sofá confesso que fico com pele de galinha, e é medo é, que alminhas estão bem é lá na outra dimensão.

Marinas e Carolinas como conviver com elas? Eu bem finjo que não é nada comigo, mas só de imaginar uma tipa com 37 anos sentada no meu sofá do tipo fantasma... opáaaaaaa!

Eu sei que os amigos invisiveis não são fantasmas... mas que parecem, ui, ui!

MEDO!


24.9.13

Estão a ver?

Algés, 07h45, “DESPACHEM-SEEEEEEEEEEEEE”, “ÓoooOOOOOOOoooOOO mãeeeeeeeeeeee”! “COMAM POR FAVOR COMAM!”, “ÓOooooOOOOooooOOO paiiiiiiiiiiiiiiii!” Bora miúdas. Ai, ai, ai tu queres ver que chegamos atrasados pela milésima vez? ÓooooOO Giiiiiiiiiiiiiil tu estás a ver isto? Não estão a ver nada, aliás, na maioria das vezes estão a olhar para a bezerra e a fingir que nem ouvem! ÓOOOOooooOOO Juliiiiiiiiiiiiiiiii estás a ver isto? Estou, estou a ver.

Lisboa, 09h45, na loja do senhor da India que vende artigos de vestuário ficamos todas a saber que somos lindas, não estamos nada gordas e sempre fomos elegantes, e mesmo que o artigo do nosso interesse indique o número XXL isso não quer dizer nada, “Ah, não ligue ao número, a menina (SENHOR DA INDIA ÉS O MAIOR! Já não é preciso ir ao Porto!) tá linda, veja este aqui, última moda, diz tamanho 3457 mas não ligue, tá amarrotado mas depois cai que é uma maravilha, estes vestidos também são artigo nacional, categoria que só eles, veja aqui, vai-lhe ficar muito bem, e blá, blá, XXXXXXL não ligue, ah, ah, ah, tá linda, linda!”. Confirmo que para uma segunda-feira de manhã é do melhor. Saímos dali revigoradas. “Está a ver que linda que fica, não ligue aos números, digo eu, está a ver? Estou, estou a ver.

Lisboa, 10h00, explico a um senhor que não temos o artigo que procura na nossa loja, indico-lhe outra, que não, não quer essa, quer é aquela que vende coisas que dão na televisão, “Sabe? De madrugada…” Exito (revisão de texto: HESITO! Feita burra escrevi exito mas DNC reparou e o erro está então assumido... Efeito boomerang que é para aprender a não mandar postas de pescada aos erros alheios!), mas insisto, talvez na DMail, que não, também não, ele quer é aquela que vende artigos que passam à noite na televisão, diz-me que a DMail é na Alameda e que já lá esteve hoje à tarde, mas são 10h da manhã, começo a contar-lhe os tiques, insiste que são produtos bons, “Sabe, à noite?” Opá, tu queres ver este… “Panelas, umas maravilhosas panelas com vários níveis, dá para a carne, e depois os legumes... Respiro de alívio! “Está a ver?” Estou, estou a ver.

Lisboa, 16h00. Estaciono o carro meio fora meio dentro da passadeira, só por 5 minutos para descarregar umas coisas. Faço uma manobra rápida, olho, não vejo ninguém e faço marcha atrás BOOoooOOONcc É lá qué isto? Olho para o lado e dou de caras com um senhor invisual a tentar puxar a bengala ENFIADA, enfiada na minha jante (Na jante do Gil, que o carro não é meu – tá tudo perfeito não riscou nadinha, nadinha!) FÓNIX e agora? Ai querem ver que ainda sou linchada? É que aqui ao pé da loja há uma associação de invisuais e pode-lhes dar para a bengalada na louca distraída! Opá eu não atropelei o homem ele é que enfiou a bengala pela minha jante adentro… O senhor ri-se (EU QUERO ACREDITAR QUE O ESGAR ERA DE RISO!), UFA, puxa com força e lá se desembaraça sozinho, UFA, eu finjo que nem vi nada, ninguém viu nada de qualquer maneira (DEUS TE PERDOE JULIETA EMILIA, HEREGE DE UM RAIO!) … Está a ver? Ninguém viu nada e o senhor saiu ileso! Estou, estou a ver… que tive muita sorte e o senhor também teve muita sorte, e a jante do carro também teve muita sorte e por consequência eu tive muita sorte porque assim o Gil também está a ver que foi apenas uma bengala pela jante adentro… está a ver? Não estava, mas agora já estou!

Estão a ver que a semana tem tudo para correr bem, não estão? Com chuva prometida e uma festa de anos para orientar, ó maravilha, estão a ver, não estão? 20 e tal miúdos e chuva! A começar tão animada, promete! Estão a ver, não estão?

Boa semana, meus caros!


20.9.13

“Ó mãeeee do que é que estás a rir?” Nada filha, nada.

Um homem com cerca de 200Kg, quase o sherek, só não era verde, quase cai em frente ao nosso carro, eu mando um gritinho e fico para ali a congeminar se o tipo tivesse mesmo caído como é que eu o ía ajudar a levantar-se. O homem lá se equilibra e avança para a paragem do autocarro. No único banco disponível sobra o lugar do meio. O homem com cerca de 200kg senta-se e logicamente uma das senhoras sentada é quase projectada para o chão. A senhora retira-se a resmungar a olhá-lo de soslaio, e o homem com cerca de 200kg fica sentado à espera do autocarro, impávido e sereno. Oiço a Rosarinho: “Olha-me aquele, ocupou o lugar todo, coitada da senhora teve que sair, isso não se faz pois não mãe? Ó mãeeee do que é que estás a rir?” Nada filha, nada.

Uma mulher, claramente descompensada, ou em vias de, telefona para a loja para pedir informações sobre as aulas de costura. Fala seguido, sem paragens, o discurso sai aos tiros e a meio da conversa descreve-se: “Sou baixa, gorda, com um rabo enorme e umas mamas grandes, está a ver?” Juro que me apetecia ter dito que sim, que estou mesmo a ver, atarracada, badocha, cuzuda e mamalhuda. Teria gostado da minha descrição? É que era a mesmíssima coisa. A caminho de casa lembro-me dela, tento imaginá-la. Lá atrás no carro oiço: “Ó mãeeee do que é que estás a rir?” Nada filha, nada.

Uma mãe, que eu considerava do tipo super-mãe, passa-se numa festa de aniversário infantil e vá de exorcizar toda a sua vida perante uma plateia de mães incrédulas: “Eu anulei-me, eu estou parada há sete anos, eu deixei toda a minha vida pelos meus filhos, pelo meu marido, quis-me em casa e eu aceitei, aliás é o que todos querem não é? NÃO É? Todas que estamos aqui sabemos disso!” Uma mãe, que já tinha manifestado o desejo que lhe enfiassem um saco plástico pela cabeça abaixo porque tinha que etiquetar todo o material escolar da filha durante o fim-de-semana ainda lhe disse: “Olha, tu vê láaaaa se ele dá valor a isso e se não se esquece disso nas viagens, à noite…!” Achas para a fogueira enquanto coçava umas babas que besuntava de fenistil. Foi assim que tivemos todas direito a assistir ao momento “descarga eléctrica”: “AI DELE!, Ai dele, que eu estou muito atenta! AH NÃO PENSEM VOCÊS! EU estou em todas as FRENTES! T.O.D.A.S (medo!) Ele nunca teve que fazer nada, chegou onde chegou por mim, eu é que fiz dele o que ele é (medo!)! Nunca comprou uma par de meias para os filhos, nada, banhos? Nada! Deitar? Nada! Eu, eu, eu! Ah, ah, ah, ah, todas as FRENTES, TODAS, ah, ah, ah! Ai deleeeee!” Ai dele, digo eu, a ver pela expressão da super-mãe-a-100%. Já no carro de regresso a casa comento com o Gil este caso bicudo. “Ó mãeeee do que é que estás a rir?” Nada filha, nada.

Um homem, ao passar no portão do colégio, dos seus setenta anos, passa por mim e pela Mercês e eu digo qualquer coisa como: “Deixa passar o senhor!”. Ao que a criatura responde, com voz de trombone: “Deixa passar o MORTO!” E eu fico para ali a pensar se terei ofendido o homem. “O MOoOoooOOORTOOOOO!” Assim de arrasto. À porta do colégio. “Ó mãeeee do que é que estás a rir?” Nada filha, nada.

O vizinho do segundo andar aparece quase sempre dentro do elevador quando nós chegamos ao final da tarde, e diz sempre a mesma coisa, sempre no mesmo tom, como se tivesse um amendoim enfiado numa narina e um gramofone croata noutra: “Boãs tardnhes! Facham o favorenhe de entrarnhe. Nhenhenehneh ai as criançanhes já vão cansadenhes nhes nhes!”. Atentem, vocês levam minutos a ler esta tentativa de o reproduzir. Ele diz isto em 0,01 segundos. Assim, rápido, rápido, e do alto do seu 1,89m. Cá de baixo só oiço Boãs tardnhes, nhes, nhes… “Ó mãeeee do que é que estás a rir?” Nada filha, nada.

Pensarão as minhas filhas que estou à beira da loucura? Nhão nhãooo, é só uma ideianhe nhe minha nhe nhe!

“Ó mãeeee do que é que estás a rir?” Nada filha, nada.

Bonhe finhe de semanenhe, gentenhem nhe, nhe!




17.9.13

Maridos e malaguetas.

Sabem quando os vossos maridos chegam ao pé de vocês, todos entusiasmados, aos pulinhos, normalmente com cara de parvos, com uma novidade bombástica que vos vai fazer tão felizes e o que sai é um sonoro: “Julie, o Sporting ganhou! GANHOUUUUUUUU! Não estás feliiiiiiiiiiiiizzz?” Ou com ar pesaroso e preocupado: “Julie, nem I.M.A.G.I.N.A.S, o Real empatou! EMPATOUUUU!” E vos acusam de ser insensíveis perante a vossa expressão “Yá, meu, estou-me assim, bem… nas tintas!” 

Sabem?

Sabem quando os vossos maridos partilham toda a sua tese de doutoramento em “Caixas de Ferramentas” e “ Aparelhos a programar” ou o “ Manual do bom funcionamento do motor do seu automóvel” e todos os fascículos da “AutoHoje” e vos pormenorizam assuntos tão delicados como: “Ouve, os comandos da garagem precisam de ser reprogramados… o comando da televisão serve também para toda uma relação interactiva com a televisão… o comando do aquecimento central é muito fácil de utilizar queres vir aqui que eu explico-te?... o motor do carro anda a fazer um barulho, não ouves?... Viste o óleo? Para manter um carro saudável devemos… “ E tudo o que vocês ouvem é a professora do Charlie Brown? BLÓOooooOOOOOoBlÓOooOOOOBlÓOOOooBÓ! 

Sabem?

Sabem quando eles vos perguntam se foram ao ginásio, e perante a resposta negativa fazem aquele olhar reprovador “tens tanto tempo não sei porque é que não arranjas tempo de ir ao ginásio”, e vocês gritam tresloucadamente que a vossa vida, com casa e crianças incluídas, já é por si só uma sessão de bodypump non stop, 24/7? 

Sabem?

Sabem quando os vossos maridos perguntam por qualquer peça de roupa desaparecida desde o inverno de 2003, à saída, mesmo à porta de casa antes de um passeio de família e vos acusam que só mexem nas coisas deles? Sabem quando os vossos maridos ignoram a vossa capacidade de gestão do lar, e a vossa exímia destreza para evitar que vivam num filme de classe C, para evitar que sejam confundidos com o Travolta no “Saturday Night Fever”? 

Sabem?

E sabem quando os tentam fazer ver que a vossa vida é de trabalho e sacrifício, nunca por eles valorizado, e o que lhes sai é um arrastado “A vida é assim, querida!”

Sabem?

Sabem quando, a meio de um jantar romântico, eles sacam do telemóvel para ver o site de resultados da “Bola” ou o tempo que vai fazer amanhã? Sabem? Quando estão empolgadas a contar-lhes tudo sobre a vossa vida e os vossos desejos e eles têm aquele olhar vítreo e vocês, olhando bem fundo nos seus olhos, reparam no reflexo do ecrã de um televisor estrategicamente colocado onde passam resumos de todos os jogos da bola da liga do Uzbequistão?  

Sabem?

Sabem quando lhes perguntam: “Estou gira?” E tudo o que ouvem é um “siiiiiiiiiiiiiiiim” molengas? 

Sabem?

Então se sabem, fica explicado porque é que eu às vezes posso ser encontrada com “cara de mulher belzebu em dias de repasto de malaguetas”!

Ah e já agora os vossos espécimes também têm a capacidade de ultrapassar assuntos e discussões em 5 minutos e acharem que se mete malaguetas é a oportunidade perfeita para cenas picantes, deixando-vos ainda mais fulas? 

Tragam-me as malaguetaaaaaaaaaaas! 

Boa semana, pessoas! Maridos incluídos! 

15.9.13

Sensatez aos (quase) 6 anos ou conforma-te que a vida é mesmo assim.

- Portem-se bem por favor! Eu estou tão cansada, miúdas! Ainda tenho tudo por fazer, o jantar, acabar de vos dar banho, deitar-vos, tudo, tudo, tudo! Por favor! Não têm pena da vossa mãe? (Por vezes faço isto, apelo à chantagem a ver se pega!)

- Ó mãiiiiii nós temos pena sim! Mas a vida é mesmo assim, um dia serei eu e a Mercês, mas agora tens que ser tu! Não fui eu que inventei esta vida de trabalho, foi o homem dos trabalhos.

- Qual homem?

- Também não sei, mas a vida é mesmo assim!

Embrulha Julieta. E não reclama!

12.9.13

Ó Universo... porra meu! ou Isto não é um post não é nada!

Ó gente das energias, ó gente do esoterismo, das indias, do vodu e do budismo, de deus e de alá, ó gente da santinha da ladeira e dos espiritos, ó gente do jorge jesus e do camandro, ó gente de todos os credos e religiões, digam-me de vossa justiça, respondam-me a esta questão simples:

- Porque raios, passados tantos anos, a vida me coloca no caminho 2 sacaninhas, daquele tipo "se eu quero uma coisa e tu estás no meu caminho passo-te por cima em segundos"?

Porquê? Eu já os tinha esquecido, eu nunca gostei deles, fizeram as "filhinhadaputice" quando tiveram que fazer, nunca mais pensei nestas criaturas e agora aparecem-me do nada e numa posição em que vão fazer parte do meu dia a dia e eu não tenho escolha!

Ó foda-se pra isto! Tá dito! Tá dito! Bate na boca Julieta! Tá dito! *Dasssssssse pá!

Eu não lhes fiquei a dever nada, nicles, rien! Nem acho que me tenham ficado a dever nada!

São, ou eram, umas avantesmas, duas abéculas, "uns pessoas" apenas, das quais não quero saber nada, nada, nada!

Opá que azar!

Isto não ajuda quem recomeçou a dieta, pá! ai que me atiro ao esparguete! ai que vou ao arroz! Pão! Pãaaaaaao! Preciso de pão! migaaaaaalhinhaaaaas...

É que há dias que sinceramente...

Universo espero que isto valha a pena, que eu vou ter que engolir muito sapo!
E já agora, engolir "sapos" engordará?

Fui gente, pregar prá santa! Haja pachorra!

6.9.13

Dona Julieta. 37 anos.

Exaspera-me.
Detesto que me tratem por Dona. Evito tratar seja quem for por Dona.
Assim que oiço "Dona Julieta" sou de imediato remetida para a casa das cintas fortes na praça do Chile. Toda eu encarquilho perante a visão de mim enquanto dona Julieta, velha e caquética com falhas de memória.

Claro que fazer 37 anos tem as suas vantagens e assim de repente enumero logo uma das mais importantes para mim. Exposição ao ridículo. É muito bom chegar a esta idade mais crescida, porque o ridículo passa a ser nosso aliado invés de ser uma ansiedade e uma limitação no nosso comportamento social.

É tão bom poder dizer o que nos vai na alma, poder fazer coisas e tomar atitudes que anteriormente, e do alto da nossa adolescência, sobretudo, nos limitava e tornava hirtos perante situações, com terror de cair no ridículo e sermos alvo de gozo, ou ainda pior, a vergonha alheia tão mal direccionada e a atingir quem mais gostava de nós.

Isto tudo para dizer que ando a lidar mal com isto da idade. Portanto estou em processo de "o melhor é não entrar em paranóias e gozar esta e todas as outras idades que ainda vou percorrer e lembrar-me que o tempo não volta para trás" ou " deixa de ser parva Julieta Emília".

Quando esta semana me vi no supermercado a comprar material escolar para a minha filha que já (JÁ?) vai fazer 6 anos (COMO? Se ainda ontem eu olhei para o teste de gravidez, se ainda ontem estava na minha barriga, se ainda ontem aprendeu a andar?), apeteceu- me fugir dali para fora, ir para um banco de jardim ou para a praia, kafekakiar por aí, experimentar roupa na zara e na bershka, preocupar-me em ter trocos para o cinema e cigarros, pensar onde vou sair na sexta, ouvir pixies em cassetes gravadas e regravadas... Ter outra vez 20 anos e conduzir o meu queijolas ( peugeot 205 mítico) e pensar como vou ter dinheiro para a gasolina e onde vamos passar o próximo fim de ano...

Na lavandaria insistem em tratar-me por Dona Julieta. Na lavandaria eu sou a única responsável pelas capas do sofá que levei para serem limpas. Sou eu que decido se aceito ou não o orçamento. Dentro da lavandaria tenho uma revelação mística, olho para mim, Dona Julieta, 37 anos, a única responsável por estas capas de sofá, e penso:" Cresci, caraças pá!"

- Dona Julieta, depois telefonamos quando estiverem prontas, não se preocupe vá descansada.

Dona Julieta. Sou de novo remetida para a casa das cintas fortes na praça do Chile com passagem pelas meias Ferrador. Eu de cinta, eu de cuecas altas de algodão, eu de meias de descanso... Esperem lá! Então e a epifania na lavandaria? 

Se tiver de enfiar o rabo numas cuecas altas de algodão, pois que seja assim mesmo, who cares? Assim como assim nunca fui de fios dental enfiados em locais estranhos e vendo bem as coisas cuecas altas de algodão sempre as tive... Apologista do conforto, fundamentalista do algodão, ridícula? So what? 

37 anos. Na boa, manos. Esta agora é a minha cena. Este ano tem que ser de mudanças. Novo cenário. Butes bazar aos 37 e aproveitar a vibe? Bora lá minha gente!



4.9.13

O rabo.

Lisboa. Posto dos Correios. Agosto. Sexta feira. 17 horas. 37ºC.

Senha nº097. Senha em atendimento 053. 

- Hi pá falta tanto... Sento-me aqui neste banco a gozar o ar condicionado. Ai que bom...

Entra uma senhora afogueada com o calor. Vermelha malagueta. A suar gindungo. 

(Bom está-se mesmo a ver que perante dois bancos vazios e um banco onde só eu estou sentada a escolha será óbvia...)

Lisboa. Posto dos Correios. Agosto. Sexta feira. 17 horas. 37ºC. 2 bancos vazios. Uma senhora sentada ao meu lado. Bem juntinho a mim. LÓGICO! Mas concerteza! 

- Está um calor que não se pode. UFAAAAAS. E eu dou-me mal com o calor. Taaaaaao mal. UFAAAAAS. Sabe lá...

- (Pois, não quero saber) Sim está muito quente...

- UFAAAAAS. Toda eu fico assim. Está a ver? Olhe aqui! Toda eu vermelha. Toda eu borbulhas. Olhe aqui pra isto. Já viu alguma coisa assim? O meu medico diz que sou eu e os bebés. Tenho pele de bebé. Veja aqui. Borbulhas. Por todo o lado. tODo . 

- (Sai pra lá, aparição!) ...

- Eu vou ao jardim tratar das minhas plantas, todos que passam ficam doidos com as minhas plantas, os vizinhos sabem, as minhas plantas, sabe lá, mas com isto das borbulhas, cremes a seis contos, pois trinta euros, ora dois vezes soma três tira seis noves fora... Pois isso seis contos trinta euros, tá a ver o que gasto na farmácia, tudo na farmácia, olhe aqui as borbulhas, com este calor pior, fui operada ao pé que sempre sofri da barriga, dos intestinos, era sempre otites, os dentes já não são meus, as borbulhas e as varizes, as borbulhas e o cabelo, sempre tive um cabelo lindo, qualquer consulta 30€ noves fora seis contos, tá a ver a menina, e com este calor, na consulta da caixa nada, os cremes que eu tenho que pôr, a minha nora e o meu genro, os meus netos, das borbulhas, veja aqui, veja aqui é pelo corpo todo começa na cabeça e até no rabo... No RABO, veja aqui a menina com os seus olhos...

- (Nãaaaaaaaao! Julieta não olhes, não olhes... Estúpida pá fingias que olhavas e pronto... Mas não, tinhas que olhar... Satisfeita?) ah de facto...

Lisboa. Posto dos Correios. Agosto. Sexta feira. 17 horas. 37ºC. 2 bancos vazios. Uma senhora sentada ao meu lado. Bem juntinho a mim. Calças para baixo. Rabo à mostra. Borbulhas e vermelhidão. E eu com Cara de parva e perdida de riso. 

Porque é que olhei? Nasci assim, não tenho cura. Sou eu e as borbulhas da mulher. Por ela acima. Por mim acima. GOD!

O rabo da senhora lá foi enfiado para dentro das calças, mas decidida a mostrar-me o que é conviver com uma alergia ao sol, continuou.

- É que rabixa por mim acima, sabe? Assim...

A mulher não foi de modos e zuca... Mãos alapadas ao meu braço e os dedos gorduchos, tamborilantes, pelo meu braço acima, a simular o rabixanço que sente há anos à conta das alergias... A sério, devo ter feito muitas para pagar outras tantas...

-... Assim, sente! E com este calor é pior e blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá 

Senha 097.

(UuuuuuUuuUUuuUUfFFFFFFfffffAS pá! A sério? Fónixnixnixnix!)

Então boa tarde. As melhoras. Adeusinho ou vai-te embora. Só comigo.

Depois daquilo e cheia de comichão de sugestão parti para férias. Sabendo que ferias para mim só depois do regresso. Um dia, uma tarde, o que fosse, sem marido, sem filhas, sem nada, just me, eu eu eu!

Ufa! Sabem lá!

E é isto amanhã retomo ao trabalho! Good to be back!

Toda eu confetes!

Hoje a porta do colégio abriu-se... shiuuuu mas eu estou em modo IIIIIUUUUUUUPIIIII! I.U.P.I! OH YEAH!

Ó gente eu curto as minhas filhas, fofas que são, coisas mai lindas de sua mummy, inteligentes e lindas, mas tãaaaao chatinhas quando querem, camandro pá, já estava que não podia!

Pessoas, não me levem a mal, contudo nas férias confirmei todos os dias a todos os minutos que pari dois exemplares de uma espécie quase-humana, parecem pessoas mas com características de insecto. Passo a explicar.

Às minhas filhas só lhes falta ventosas nas mãos para treparem paredes e percorrerem tectos!

As minhas crianças são uma mistura explosiva de pulga com gafanhoto, de cigarra com grilo!

NÃO PARAM! NÃO SE CALAM! E fazem questão de se fazerem ver e ouvir! Todos os minutos, TODOS! Até de noite falam, a dormir e a falar! CRUZES, CREDO, CANHOTO!

Portanto as férias (AHAHAHAH! ai, ai... férias... oh sim está bem, está muito bem! férias... pois!) passei-as em modo megafone, descompensada e aos gritos!

Então hoje, quando essas duas melgas amosquitadas me agarraram a perna à porta do colégio e assim continuaram ao longo de todo o percurso eu pensei (PENSEI FORTE! tão cabrinha que sou...) sacudir a perna, sacudi-la com força e pirar-me dali para fora!

Não, não o fiz... apesar de as minhas férias terem sido passadas aos gritos, descabelada, a tentar alimentar e orientar na vida estas duas bruxas, algo "se me baixou" e fiquei para ali de lágrima no olho, quase a descambar para a choradeira, qual carpideira, e até a mim me custou deixá-las... PESSOAS, não contem a ninguém, mas hoje fui eu que quase me agarrei às pernas das minhas filhas... MONGAAAAA!

Agora que já me passou o momento "All You Need Is Love" e regressada ao meu registo habitual, estou então assim: OH Yeah! Confetes e papelinhos! Balões e  fogo de artifício! OH YEAH! Bendita escola! IUUUUPIIIII!

E vocês, muita lágrima ou ainda têm os petizes de férias?

Deixo-vos uma musiquinha.