18.7.16

De não vir aqui há que séculos e de neuras brutas em pleno mês de Julho

Sabem aqueles dias em que nos sentimos o dono da viola que vai ser guardada no saco?
Pois.
Sabem aqueles dias em que nos sentimos na fila do supermercado que nunca avança?
Pois.
Sabem aqueles dias em que compram bifes para o jantar e tudo fica cheio de gordura e como se não bastasse essa gordura espirrou para o vosso olho?
Pois.
Sabem aqueles dias em que sabem que os vossos gatos têm pulgas e as vossas crianças têm piolhos e vocês se estão nas tintas para os tratamentos?
Pois.
Sabem aqueles dias em que se dão conta que é Julho, que se passaram 20 anos e que os dias intermináveis de verão acabaram naquele dia de inverno em que o teste deu positivo?
Pois.
Sabem aqueles dias em não vos apetece ser mãe (ou pai), em que não vos apetece educar ninguém, nem cuidar de ninguém, nem cortar unhas a ninguém, nem fazer o jantar a ninguém, nem mediar conflitos apocalípticos entre 2 "adolescentes" de 6 e 8 anos?
Pois.
Sabem aqueles dias em que só vos apetece ser cobra, daquelas rastejante e molengas que mudam de pele?
Pois.
Sabem aqueles dias em que se sentem mesmo sozinhas no meio da multidão?
Pois.
Sabem aqueles dias em que acham que tudo não vale nada?
Pois.
Pois, que hoje estou nesses dias.
E ainda vou ter que fazer pela milésima vez uma cama para ver se liquido de uma vez a piolhagem que anda cá por casa!
(Oh pessoas estou na fase kamikase... Vai tudo a eito, vai de remédio de pulgas mesmo! Se mata pulgas dos gatos, mata piolhos das miúdas! Se mata piolhos das miúdas, mata pulgas dos gatos!)
Tou ca neura, gente! E está um calor de ananases!
Amanhã é outro dia!

Ps: e continuo gorda, baixa e atarracada, mamalhuda e preguiçosa para fazer ginástica, e atraio giras que dói... Parece que estão sempre ao pé de mim... E eu para ali atarracada, espirrada de gordura dos bifes, mestra a manejar pentes caça-piolhos à beira dos 40, dos 40fuckingyears e toda a gente com quem me cruzo ainda nem trinta tem, e exibe maminhas pequenas, e eu assim obcecada por mamas pequenas e adoradora de vinho verde o que fará com que as minhas mamas tenham sempre 5kg a mais, e à beira de um ataque de nervos porque não sei o que fiz aos 20 anos que se passaram, nada, não fiz nada, não há nada a salientar, nada, a não ser a esperança de não fazer a mesma bosta de coisa nenhuma e daqui a nada estar a fazer 60 anos e olhar para trás e espetar com a cabeça na frigideira dos bifes de uma vez só!

Ps2: isto hoje está do pior!

12.4.16

Lenga-lenga de uma mãe.

Crianças, dedos peganhosos, dedos peganhosos de cenas inqualificáveis, dedos peganhosos de cenas inqualificáveis e normalmente coloridas, dedos peganhosos de cenas inqualificáveis e normalmente coloridas que deixam nódoas, dedos peganhosos de cenas inqualificáveis e normalmente coloridas que deixam nódoas que nunca mais em tempo algum sairão, narizes ranhosos, narizes ranhosos esfregados, narizes ranhosos esfregados com as costas das mãos, costas das mãos cheias de ranho, costas das mãos cheias de ranho esfregado no sofá, sapatos nunca tirados, sapatos nunca tirados com solas encardidas, sapatos nunca tirados com solas encardidas por pisarem tudo o que se gritou para não pisarem, sapatos nunca tirados com solas encardidas por pisarem tudo o que se gritou para não pisarem e pisaram sabe-se lá o quê, sapatos nunca tirados com solas encardidas por pisarem tudo o que se gritou para não pisarem e pisaram sabe-se lá o quê e conseguiram pisar não com um mas com os dois pés, que agora saltam frenéticos em cima do sofá, mãos encardidas, mãos encardidas e canetas de feltro, mãos encardidas e canetas de feltro sem tampa, mãos encardidas e canetas de feltro sem tampa afinal o que são tampas senhor, o que são tampas, ó senhor? crianças e plasticina, crianças e plasticina oferecida por um qualquer inocente, crianças e plasticina, crianças e plasticina oferecida por um qualquer inocente que sabe lá da missa a metade, crianças e plasticina oferecida por um qualquer inocente que sabe lá da missa a metade ou da poda toda, crianças e plasticina oferecida por um qualquer inocente que sabe lá da missa a metade ou da poda toda e agora a mãe metia aqui um "éfe" e ía dar ao mesmo! várias crianças, várias crianças e um sofá, várias crianças e um sofá e hora do lanche, várias crianças e um sofá e hora do lanche e migalhas, várias crianças e um sofá e hora do lanche e migalhas muitas muitas migalhas, várias crianças e um sofá e hora do lanche e migalhas muitas muitas migalhas de bolachas, migalhas de bolachas e gatos, migalhas de bolachas e gatos que gostam de cheirar migalhas de bolacha, migalhas de bolachas e gatos que gostam de cheirar migalhas de bolacha mas não as comem, migalhas de bolachas e gatos que gostam de cheirar migalhas de bolacha mas não as comem e bem que as podiam comer, migalhas de bolachas e gatos que gostam de cheirar migalhas de bolacha mas não as comem e bem que as podiam comer que era o que se poupava em aspirador, gatos peludos com patas exploradoras, gatos peludos com patas exploradoras, gatos peludos que largam pêlo, gatos peludos que largam pêlo e que também se constipam, gatos peludos que largam pêlo e que também se constipam e que ficam com o nariz ranhoso, gatos peludos que largam pêlo e que também se constipam e que ficam com o nariz ranhoso e que o esfregam, gatos peludos que largam pêlo e que também se constipam e que ficam com o nariz ranhoso e que o esfregam no sofá...
Sofás brancos e uma mãe, sofás brancos e uma mãe que fez a cama onde agora se deita.
Crianças, gatos e sofás brancos.
Cada um faz a sua cama, cada um caminha na direcção da luz ou da lavandaria, neste caso.
Fui.
Boa semana, pessoas!

9.4.16

Açucar

Hoje fomos assistir à apresentação "O que trazemos na lancheira", baseada no documentário que passou há dias na televisão sobre os malefícios do açúcar na nossa saúde.
Meninos e meninas dos 3° e 4°ano apresentaram um estudo que nos alerta para esta epidemia (eu chamo-lhe epidemia porque, e depois de hoje, verifico que está em todo o lado e , pior, escondida e dissimulada...)
Pessoas, o meu querido iogurte, aquele que me salvou de ficar um texugo quando engravidei, é dos piores, no grupo apresentado.
O meu querido iogurte tem 24gr de açúcar... Cerca de 3 pacotes de açúcar... Um enjôo!
Eu que nem sou doida por doces, eu que não ponho açúcar em nada, café e chá imaculados, pimbas! 4 pacotes de açúcar sem notar!
Ó gente, fiquei mesmo a pensar nisto!
Tanto, que hoje tive o dobro do trabalho ao jantar, mas decidi fazer molho de tomate à séria, com tomates verdadeiros, sem recurso a frascos de tomate e açúcares adicionados!
Ménes de ma vie, estou na luta, sem histerismos, sem loucuras, muito devagar, mas na luta.
Devagar se vai ao longe!
Tão longe que até me inscrevi no crossfit!
No crossfit!
Ménes, tudo a bombar! Oh ieeeeeé!
Depois conto!
Mega beijo, pessoas!

9.3.16

Paciência. Haja muita.

Penso em monges budistas. Aquela leveza. Aquela luz, sempre goldenhour, muito por causa das suas vestes laranjas. Aquele sorriso cristalino da paz. Cascatas de água transparente. Aquelas sandálias de corda que protegem pés felizes e quentinhos, até em Katanga com neve pelo pescoço. Aquele sangue que lhes corre nas veias que é puro. Aquela paciência sobre humana. Aquele saltitar deslizante das pessoas felizes.
E depois penso em informáticos. Pessoas que nos salvam quando o nosso pc dá o berro. Falece. Falece outra vez (os pc`s têm esta capacidade de morrer vezes seguidas). Ressuscitam. Falecem. Ressuscitam. Falecem.
E então chamamos estes iluminados, estes verdadeiros seres de luz. Estes estranhos detentores da paciência do mundo e de além mundos.
Quais monges budistas, qual quê! Arrumem as sandalecas, ménes! Vão deslizar, simpatias. Os informáticos é que é!
Quem mais nesta vida aguenta estar de frente para um pc moribundo a ver passar aquela cena do tempo, aquele risco que vai enchendo à velocidade de coisa nenhuma, sem pensar em martelos? Sem se levantar, desvairado, a pensar em martelos, a ir de facto buscar um martelo, e martelar aquela coisa dos infernos, até engolir teclas, até lançar labaredas de fogo pela boca, raios pelos olhos, e cuspir downloads e uploads e actualizações e oads disto e daquilo? Quem?
Olhem, eu é que não, pessoas, só penso em martelos... eu, o meu pc e um martelo... Tráaaaaaaaaaas! Olhá tecla!
E não é só o pc acamado que lhes garante o reinado da paciência.
Oh não!
Já não lhes bastava aquela existência de mártir em frente de um computador em modo "Está a pensar" como ainda têm que aguentar o legitimo dono do pc a dizer piadolas de merda, prostado atrás qual burro a olhar o palácio.
Ou seja, eu!
- Olhe lá, não haverá incentivos do estado, tipo como os dos carros, para abate de computadores? ahahahahah!
- Gabo-vos a paciência... eu já me tinha passado e ido buscar o martelo... ahahahahah!
- Eu devia ter nascido na idade da pedra! ahahahahah!
- Eu ainda tentei ver se descobria qual era o problema... ahahahahah!
Quais monges budistas, qual quê?
Go Informáticos, go informáticos!
Excepto os de uma tal loja "clínica de computadores", que entre várias coisas para justificar o atraso no diagnóstico do meu portátil, tiveram momentos hilariantes como: "Desculpe o atraso, mas os nossos computadores hoje estiveram todos avariados..." WTF? Ménes, isso inspira muita confiança, não haja dúvida... ou "Sabe, é que o nosso informático teve agora mesmo um colapso e teve que ser levado..." E tudo isto dito por uma zelosa funcionária por trás do balcão equilibrando uns óculos de sol no alto da cabeça (a sério... óculos bandolete é qualquer coisa... olha, novamente martelos a povoar os meus pensamentos...)
A seguir a isto peguei na minha já mui fraca máquina e fugi dali para fora. Não é que não merecesse lá ficar, esse monte de teclas e drives do camandro, mas a falta de verbas por estes dias tem-me impedido de praticar o lançamento à parede, esse desporto tão libertador para gente com dramas de software e hardware!
Haja paciência, pessoas!
Boa semana smile emoticon

8.3.16

Tás ca'fome?

Então come, mas atenta nisto:

- sem glúten (glup!)
- sem açúcares processados
- sem pão
- sem massa
- sem arroz
- sem minhoca
- sem gorduras
- sem cenouras (foge das cenouras, corre, corre e grita: "cenouras vão-se f%^#~")
- sem fruta em sumo ( livra-te de sonhares com sumo de fruta, grita também aqui, bem alto)
- sem carne (coitadinhos dos bichos)
- sem peixe (cenas maradas nas águas do mundo e coitadinhos dos bichos)
- sem lacticínios ( tás a ver o "f%<#*-se às cenouras"? Pois dá no mesmo)
- sem Coca-Cola ( canos, esgoto, e afins limpos que é um brinco!)
- sem merdas
- sem bolachas Maria ( ouviram bem? Isto é tão medieval como a inquisição... Atrevam-se!)
- sem cozinhar!
- sem porra de porra nenhuma!


Come, folhas e copos de água, dá saúde, anos de vida, numa existência sensaborona e pele e osso como se querem as mulheres... Com sorte, e se estiverem numa idade avançada, com cara de derretida, mas isso são pormenores que não afectam gente seca de carnes.
Caras derretidas com rabos tesos! (Começo a questionar onde se deviam usar as cuecas, se enfiadas cara abaixo, se protegendo as partes que se querem bem à vista, tal o esforço de manutenção!)


Tás ca'fome?
Go folhas, go, go!


2.2.16

Era uma vez... o corpo humano.

Assim que penso entrar em dieta (faz favor de ler "passar a ter cuidado com a alimentação, não abusar, trocar o mau pelo bom, and so on maria ivone") o meu corpo entra em modo SOS.
O que é isso?
O meu corpo entra em pânico.
Mal o meu cérebro pondera toda uma mudança para o bem, o meu corpo grita:
- Alerta geral... Ménes, coxas, barriga, pneus, cuidado! Ménes, há noticias lá de cima, de fonte seguríssima, que a pessoa está a pensar deixar-nos à míngua!
Há gritos de desespero, frentes de batalha são erguidas, ajuntamentos de células adiposas em todos os cantos, sabotagem nos canos, saídas bloqueadas, alerta geral!
A pessoa passou-se e vai avançar!
- Ménes, daqui não sai nada! Lancem a preguiça, chamem o sono... rápido, caimbras, ataquem-na, nariz começa a pingar, rápido, bloquear saídas, todas as saídas! Ronca estômago, ronca, pá, chamem o desfalecimento, desmaios à recepção, ronca méne, aleeeeeerta!
E é isto.
Mal decido fazer alguma coisa por mim, pela minha alimentação, pimbas!
1 kg a mais logo na primeira semana que é para não ofender a realeza que me habita as coxas, a barriga, o rabo, os braços. 1kg a mais que é para não ser parva!
Também vos acontece? Possas, pá... (que é para não meter éfes ao barulho...).
E o pior nem é a alimentação... o pior é a preguiça para me mexer... oh inércia do camandro, pá!
Vou ali lamentar-me e volto já... efés, e ós, e dês, e ás e sssssssses, para isto tudo!

8.1.16

Olha e porque é que continuas com a mesma lenga lenga de sempre e não levantas o rabo e fazes alguma coisa por ti, ao invés de vires para aqui massacrar o juízo e o feed destas pessoas?

Porque assim torno a cena real.
Porque sempre acreditei que a palavra escrita e bramida aos ventos tem, imaginem só, o incrível poder de se fazer ouvir.
Porque senão sou só eu e a minha consciência, que convenhamos sempre foi lambona-esfomeada-farinhó-compulsiva.
Porque sou chata.
Porque sou chata.
Porque sou chata.
Porque talvez ganhe vergonha na cara e acabe o que tantas vezes começo e deixo pelo caminho.
Porque é muito mais divertido se vier para aqui partilhar as minhas crises existenciais.
Porque 2 pessoas se inspiraram nas minhas palavras e fizeram alguma coisa por si, e isso é só FUCKING AMAZING!
Porque desta vez o peso da idade está mais presente que nunca.
E porque, ménes do meu coração, com quem partilharia eu as dores e os amoques próprios da meia idade? 
A quem dizia eu que ir ao ginásio é o mesmo que acartar com sacas de batatas aos ombros com galochas nos pés num dia de verão num deserto africano perseguida por pragas de gafanhotos com um par de cuecas deslizante devido  ao efeito do elástico rebentado com piolhos no cabelo e sem as mãos livres para coçar a cabeça que dói por causa do pingo que insiste em cair do nariz ranhoso com inchaços abdominais e cólicas intestinais?
É por isto que vão levar com as minhas cenas.

Ainda está aí alguém?
Era só para desejar um bom fim de semana!

7.1.16

Julieta Cliché(zinhu) a caminho dos seus 40 (fucking years)!

Cá estou, minha gente.
Cá estou no dia 07 de Janeiro cheia de ideias e vontades.
Cá estou em início de dieta (sem loucuras!).

Sou tão previsível.
Tão Janeiro.
Tão igual a outros milhentos ménes das resoluções.
Já estou a Voltaren, tais as dores provocadas pelo regresso ao ginásio.
Tão cliché(zinhu), Julieta, benza-te Deus!
Mas olhem mais vale aqui que acoli, naquela cena gorda e lambona, tão texuga, tão tartaruga.
Na verdade, acho que nem vou conseguir, ainda assim vou arriscar para ver até onde consigo chegar.
Ser a minha testemunha.
São os meus 40 (fucking years) portanto, ou arrisco ou arrisco!
Estou mesmo a ver: "Sim, tenho 40..." E aquele olhar, sem som de fundo, penetro-fulminante: "Quem a viu e quem a vê... fez-se gorda, desleixou-se, está tão acabada, e agora, coitada, não há volta a dar..."
E eu bem me vi, naquele espelho do ginásio, assim cheia de carnes, e nem é propriamente gorda, é mais balofa, ofa, fofa, balão!
Tenho o mundo todo contra mim.
Tenho toda uma Julieta Balofa contra mim. E o filhadamãecornodeumraio do espelho do ginásio... corno... cena dos diabos...
Tenho tanta falta de vontade como apetência para encher o bandulho, assim mesmo boas pessoas, assim mesmo, bandulho!
E é isto, a seca do costume, um cliché(zinhu) tão clichézinhu.
São os 40 (fucking years), ternuras!

6.1.16

2016

2016.
Está aí alguém?
Como é que eu aqui cheguei?
Ao ano em que faço 40 (fucking years!).
Quero concentrar-me naquela cena muito actual que isso da idade é para meninos... mas não consigo!
Sempre são 40, sempre é capaz de ser o meio do caminho, e toda a gente sabe que a segunda parte é sempre mais curta.
Portanto estou que nem posso acreditar.
Quero muito fazer alguma coisa por mim e neste adeus aos 30.
Quero chegar aos 40 (fucking years!) bem melhor do que cheguei aos 30, mas sei lá eu como cheguei aos 30... deve ser da idade, estou com brancas, passaram-se 10 anos, assim num instante, num instantinho e eu nem me lembro de coisa nenhuma daquilo que é chegar a uma nova década.
40 (fucking years!), ménes!
Para uns nada, para outros tanto!
40 (fucking years!) daqui a 8 meses.
Tenho portanto 8 meses para me preparar para os meus 40 (fucking years!).
Ménes, a coisa vai doer, mas eu hei-de me orgulhar dos meus 40 (fucking years!).
Está aí alguém?

27.11.15

A não-bloguer.

Cestos de verga? Flores secas? Alecrim? Conversas escritas em modo poema? Tricot? Lãs e algodão? Pores do sol? Praias vazias? Tons pastel? Pausas? Mindfulness? Rodopios? Mãos dadas? Canecas fumegantes? Pão tostado? Iogurte grego decorado com papoilas? Olhares lânguidos? Versos de amor? Gatos persa? Ardósias? Giz branco? Madeiras claras? Corridinhas seguidas de paragens acompanhadas de sorrisinhos? Rodopios? Mãos ao alto? Manta de xadrez? Macramé? Tisanas? Café com leite? Café sem leite? Rosa? Azul? Alfazema? Branco? Tão branco? Tão, mas tão branco? Pézinho no ar? Boquinhas? Selfies em tons pastel? Maridos de telenovela venezuelana? Maridos lânguidos? Bebés pastel? Crianças pastel? Crianças enlaçadas? Crianças de cera? Biscoitos? Copos de leite? Leite de amêndoa? Óleo de amêndoas doces? Ovelhas e carneiros? Campos a perder de vista? Lareiras crepitantes? Frascos de vidro? Rodopios?
Rodopios!
Assim de braços abertos, na fila do talho, ó senhor do talho prepare-me uns medalhões, mindfulness nisso, meu caro senhor do talho, corte com gentileza, enquanto eu chapinho nestas pocinhas à porta do seu estabelecimento e tiro uma selfie. Depois publico no blogue a perfeição de uma ida ao talho, eu em fofa pastel, a dar saltinhos enquanto penso na receita com alecrim que vou cozinhar no meu fogão a lenha.
Rodopios!
Com olhares lânguidos na drogaria a comprar cal, para caiar o lugar de todos os afectos, e fio de algodão e cestos de verga, ó senhor da drogaria eu estou a olhar de lado porque fico mais gira de lado, não, não sou alucinada, a cabeça tombada para o lado é sinal de ternura, de mantas de xadrez e tisanas fumegantes, eu em modo fofo, tão, mas tão fofo.
Rodopios!
Macramé. Crochet. Tricot. Selfies no meio das lãs. Em posição número nove do namasté das saudações ao sol. Não, não estou marreca, gosto de estar assim, em mindfulness com o meu body. Não, não são sementes a mais nos molhos de rúcula que como em golfadas esfomeadas nem sementes de chia em doses exageradas de overnight oats directamente do frasco. Não. São entendimentos do meu interior. Tão eu. Tão nós. Tão sempre assim. Assim, tão, mas tão assim. Não estou marreca, apenas sou.
Rodopios!
Ó vida, ó eu, ó cestos de verga e dedos encarquilhados do peso! Ó leite de amêndoa que não sabes a nada! Ó flores secas que se desfazem em pó e sujam tudo! Ó alecrim aos molhos e já se sabe, choram os meus olhos! Ó tricot, cena dos infernos que mete duas agulhas e tanta contagem e aumentos e diminuições e a minha professora de matemática do 5º ano à minha frente a gritar: ouve lá tu não aprendes nada? Gatos e pelos, pelos e gatos! Crianças, gritos, ranho, birras, mindfulness na gritaria ménes, mindfulness na gritaria! Macramé, namasté, salamalé, lelé, da cuca lelé! Rodopios, pézinho no ar, saltinhos em pocinhas, marreca, tão, mas tão marreca! Ó casa imaculada, excepto ao sábado de manhã, pilhas de roupa em dias de inverno, chuvosos e cinzentos, húmidos, tão, mas tão húmidos. Panelas que cospem comida, chaleiras que vertem, café derramado em atrasos adormecidos, despertadores que não tocam. Trânsito, tão, mas tão compacto. Ó pó dos infernos que entranhas na mobília, e na minha versão de acumuladora compulsiva. Ó crianças fofas enlaçadas em dedos pegajosos, espetados nariz acima a escarafunchar salões decorados a verde. Ó vida que corres ligeira de todas as cores, umas vezes mais escura, umas vezes mais clara. Tons de coisa que foge por entre os dedos agarrados às esfregonas , tão, mas tão rodopiantes.
Rodopios? Só se com a esfregona, tão esfre, tão gona. Tão assim.
Namasté, meu povo, mindfulness no té e no salamalé!
E depois é pegar na máquina fotográfica, registar tudo e partilhar essa cena tão, mas tão edílica que é a vida, ao sábado de manhã, no pós guerra doméstico.
Mindfulness, ménes!
Nunca serei uma bloguer.
Bom fim de semana, namastés do meu coração. Batem forte, tão, mas tão cá dentro!

11.11.15

Coligações, a vida a imitar-se a ela própria, mais do mesmo, e desta vez nem dá para rir.

Um tipo.
Gordo.
Com um gosto discutível para outfits.
Um tipo gordo, que grita impropérios, às 4 da tarde.
Um tipo gordo de pijama, a gritar: Puta da Velha! Vai à merda, ó velha!
Uma velha de andarilho que por acaso é a sua mãe.
Uma imbecil com gosto aparente por drunfos, que por acaso é sua irmã.
Um surdo de conveniência, com cento e tal anos, que por acaso é seu pai.
E eu, que por acaso sou vizinha destas avantesmas.
Ou serei, assim que acabem as obras na minha casa nova ainda que velha.
Um gordo, com mãos sapudas, agarrado ao que é meu, por direito, e por torto.
Um gordo, com mãos sapudas e pegajosas. 
Um gordo, alapado ao que não lhe pertence e aos gritos: Puta da Velha! Vai à merda, ó velha!
Às 4 da tarde. Apijamado.

Um canteiro que por acaso é meu.
Um canteiro protegido apenas por uma grade larga.
Tão larga que deixa passar as mãos sapudas do apijamado.
O mesmo apijamado que grita à 4 da tarde impropérios à velha de andarilho.
Puta da Velha! Vai à merda, ó velha!
E ao mesmo tempo acaricia as flores...horrendas… tipo couves…
Que o surdo de conveniência, e centenário e usurpador, plantou no meu canteiro. 

Eu até podia manter as couves, que não tenho tendência para retro escavadora, mas depois de meter polícia, fiscais da câmara, denúncias e outros mimos proporcionados por tão adorável vizinhança, a minha paciência acabou.

De nada vale, neste nosso país tentarmos ser civilizados, de nada serve comportar-mo-nos de forma cordial, porque a paga é sempre contrária. De nada serve ir pessoalmente pedir desculpa e paciência por desconfortos causados pelas nossas obras, porque não será essa a via escolhida à primeira queixa, mas sim ser bufo e fuinha.

Portanto, os ménes do lado que não esperem coligações que eu cá não estou para cenas. Sobretudo coligações pós-fétidas. Coligações de conveniência. Como a surdez da múmia que insiste em tratar-me por vizinha e plantar desgostos no meu canteiro enquanto tenta a paz podre e dissimulada, aquela do tipo deixa estar que prá próxima...

Olha que agora era já a seguir, um apijamado, com verborreias mentais, a gritar impropérios, coligado comigo, em que o bem comum é o meu canteiro.
Uma drunfada com tendência para bufa, um surdodeconveniência e a do andarilho a reboque.

Então que após as queixas, assim que a poeira acentou, o surdodeconveniência tentou a abordagem da coligação.

Pode meter a coligação no realíssimo. E levar as flores a pastar noutras paragens. Cá estaremos para embelezar o canteiro à nossa maneira e de forma independente. Em que o único cheiro fétido será o do estrume a fazer o seu melhor e mais digno papel. Porque até a merda tem direito a uma segunda oportunidade. Sobretudo a feita para tal ainda que com a conivência do seu defecador.

Querem cena mais actual que isto? Sorte marreca.

Eu marreca e só malucos à minha volta.

Eu maluca e só marrecos à minha volta.

Tá tudo doido, pá!

E nunca mais é verão! Porque eu lá estarei outra vez… estaremos!

Boa semana e muita castanha e muita jeropiga e muito de tudo, queridas pessoas, "qu`isto não tá pa risotas"!





10.9.15

O arrumador de casquinhas e outras histórias.

Estava eu nas minhas férias, num daqueles almoços tardios de tardes quentes e horas de praia prolongadas quando eis senão quando se me depara uma epifania, um momento lamechas, um momento único. Único no espaço e no tempo, porque não pretendo repetir esta minha incursão nesse mundo movido a lágrimas e dores de amor, onde não existem homens ideais, a não ser esse ser coiso compulsivo que escrevinha umas merdices de cor púrpura, aquele das chagas, todo ele prazer doméstico, o vomitador de frases feitas para animar senhoras.

Naquela tarde quente de Agosto foi impossível.

Eu estava ali, a tentar distrair-me daqueles guinchos próprios de crianças com mãos peganhosas de manteiga em versão histérico-desvairadas, do mesmo tipo dos dois espécimes que me calharam em rifa, essas adoráveis criaturas que me tratam por mãe, aos berros e aos saltos mal sentam os realíssimos traseiros em cadeiras de restaurante.

Eu estava ali, e ele estava mesmo ao meu lado.

E eu vi-o, e imaginei-o num primeiro encontro com uma esperançosa companhia de que este sim, podia ser o tal.

Até podia, não sei. Às tantas, estava ali ao meu lado um chaguinhas ou mesmo um gustavinho, um coisinho que faria feliz muito coração despedaçado e de mal com essa cena call L`Amour.
Até podia, não sei.
Agora o que eu sei, minhas amigas e meus amigos, é que os pormenores nos dizem tudo. E esse foi o click que me fez por momentos mergulhar , de chapão, é certo, que assim não mais repetirei este correio do amor e esta rubrica fofo-deprimente.

Ó pessoas, o tipo estava a comer amêijoas e a arrumar as casquinhas.

Arrumadas. Dispostas em fila. Tipo peças de dominó para efeitos. Cascatas de cascas de amêijoa. Cascas de amêijoa dispostas à La Ópera de Sidney. Muito bem arrumadas no prato.
Fujam mulheres, fujam homens, fujam gente!

Porra! Cascas de Amêijoa arrumadas? Dispostas no prato por ordem de tamanho? Encaixadas umas nas outras?
Ah, olha e tal, vou ali e já venho!

(pausa para palavra com éfe, audível o suficiente, acentuada com muitos esses no final… sssssse…ssssse).

É fugir e nunca mais olhar para trás, nunca mais!

Pior só a outra que em três dias de relação, acabou logo ali com um futuro amoroso promissor após um repasto de mexilhões e uma saída digna de muito comprimido para o enjôo quando se levantou e disse ao seu amado: “Vou ali mandar uma cagada!”. Escusado dizer que o amado ao final da tarde já estava em Lisboa, após deixar a chorosa dama por terras do Algarve.

Uma bela cagada era o que ía dar uma relação com um arrumador de casquinhas de amêijoa.

Fujam mulheres, fujam homens, fujam gente!

Foi como ontem, quando um Costa e um Passos se defrontaram e com apenas uma fotografia do aceso debate me convenceram que a minha cruz é cá coisa minha e que eles são exemplos concretos do que procurar e recusar num par para relações futuras.

Passos com aquela cara de abatanado, que não se sabe se está, se foi, se irá, aquele tipo de cara de meta, partida, largada, fugida, sem retorno. Mulheres e homens, fujam! Fujam se num date vislumbrarem tal coisa na cara dos candidatos a amantes eternos!

Costa com uma promessa sacana, do tipo logo se verá: “Baixaremos as taxas moderadoras mas não me comprometo com montantes ou datas.” O amor. Nem sim, nem sopas. Talvez, quem sabe. Antes ou depois. Mulheres e homens, fujam! Fujam se num date vos agarrarem na mão e se vierem com uns prometo, prometo, deixa lá ver é se depois cumpro, oh se calhar nessa altura já estou a cocktails e palmeiras. Lá bem longe, a praticar o desapego. Fujam!

Quem é vossa amiga, quem é? Até nas férias me lembro das minhas queridas pessoas que ainda não descobriram o caminho do amor gritado por teorias Chaguianas polvilhado a Santos em dias de frio e partilha de cache(colinhos)!

Bom fim de semana, pessoas!

Nota: Pois eu sei… depois de ouvir a história dos mexilhões aqui há uns anos, também eu deixei de os comer, tal o enjôo… desculpem lá a partilha, mas lembro-me sempre da fuga contada pela voz da alminha que não esteve atenta aos pormenores, do horror, do drama… da cagada em que acabou essa relação! Um mimo. Sobreviverão. O meu amigo sobreviveu ao após Mexilhões. Eu é que mexilhões, não obrigada!

4.8.15

Falta só um bocadinho assim.

Sabem quando estamos aflitinhos para fazer xixi e vamos no carro a caminho de casa?

Sabem quando chegamos ao prédio (no meu caso são vários blocos) e está uma fila para entrar na garagem (no meu prédio há uma, enorme) e somos os últimos da fila e vamos ter que ficar a tomar conta da porta até que feche por consideração aos outros condóminos e por desconsideração aos ladrões?

Sabem quando estamos tão aflitinhos para fazer xixi que carregar no travão é um suplício, quanto mais na embraiagem e no acelerador?

Sabem aquelas vezes em que entramos na garagem e não está ninguém, e nunca, mesmo nunca nos cruzamos com o tipo que tem que fazer manobras para cima do nosso lugar para poder estacionar?

Sabem quando, contra todas as probabilidades, o tipo está lá? E vocês a ficar roxos de tanto apertar a bexiga e saídas consequentes?

Sabem?

E quando subimos o elevador e a vontade aperta? Assim em modo ai que é agora, ai que é agora?

Sabem quando, contra todas as probabilidades, dada a hora, o elevador pára no piso 0 (que desgraçadamente não é o vosso) e aparecem 4 vizinhos, que, ó pasmem-se, se cruzaram todos ali e todos querem subir?

Sabem quando o vosso sorriso é tão amarelo quanto o xixi retido que se apodera das vossas entranhas em forma de dor e aflição?

Sabem quando o elevador quase que chega ao vosso piso mas desgraçadamente os 4 vizinhos, ó pasmem-se, ficam nos pisos abaixo do vosso e vá de parar e vá de parar para cada uma das alminhas sair vagarosamente e, ó pasmem-se, dizer adeus, inventar assuntos de chachá, prender o elevador com o pé para dizer mais umas graçolas uns ao outros? E tudo a rir, menos a roxa?

Sabem quando estão mesmo quase e aparece uma palerma qualquer que não sabe bem onde está, o camafeu, e nem sabe para que piso quer ir, e o caramelo do vizinho vá de ajudar e vocês tão aflitos, tão aflitivos... e o pézinho do vosso parceiro de condomínio a travar o andamento do elevador?

Sabem quando perante a palermice da palerma que acaba por não vir no elevador, o vosso querido vizinho, essa alminha tão boa, que como todos os humanos também perde a paciência e partilha com vocês o desagrado por gente parva à solta e vá de fazer Tschhhhh Tschhh Tschhhhhhhhhh e esses Tschhhs só vos fazem apertar ainda mais as pernas? Assim bem apertadinhas, porque vocês estão em modo cataratas do Iguaçu?

Sabem?

Então agora apliquem toda esta sabedoria Xixiziana ao quase, quase, de férias e aí me têm.

É que é só cenas, só contorção, só abéculas, e todas em fila, até sexta, quando esta vossa amiga for de férias!

Tschhhhh, Tschhhhhh, Tschhhh, pessoas, Tschhh, Tschhhh!
Está quase, está quase!

Para quem está, boas férias, pessoas!

Para quem vai, Tschhhh, Tschhhh, está quase, está quase!

Go people, mais um esforço! Inté!

24.7.15

Exterminador implacável

Exterminador implacável

Há muitos anos atrás, no tempo das calças de cintura subida, camisolas de malha feitas à medida de mulheres balão e muita argola dourada ou de plástico colorido (pessoas, quem se lembra das argolas-brinco que vinham nos pacotes de batatas fritas? pré-histórico!), quando eu era a namorada recente do meu actual marido (há que apimentar a nossa história, se não é só uma cena boring de 24 anos juntos, qualquer coisa como desde sempre! e dito assim as pessoas acham-nos uns ganda malucos), fui convidada pela primeira vez a ir ao cinema.
Levada de mota para o Fonte Nova, assisti incrédula ao filme que se esperava, no mínimo romântico, e que tinha sido a escolha do Gil para a nossa primeira ida ao cinema juntos. Exterminador Implacável!
Sem comentários!

E isto tudo estava guardado nas minhas memórias, sendo assunto apenas recordado sempre que vamos ( ou íamos, há 2 filhas atrás) ao cinema e perdemos um tempo imenso a decidir que filme ver e que agrade aos dois... azeite e água... é mais ou menos isso!

Até ontem, pessoas, até ontem!

Munida de um Stop- piolhos, dois pentes de dentes finos e uma toalha branca, lembrei-me de ensinamentos shwarzenneguerianos e lancei-me nessa dura batalha de combate às bichesas capilaró-rastejante, encarnei o meu eu cyborg e enfrentei o piolhame que se apoderou das cabeças das minhas crianças!

Assim gordos e patudos, com antenas!
Um até tinha a barriga transparente e, acho, cheia de ovos de piolhos infantes!

Tás louca, pá! Piolhos grávidos?

Exterminador implacável e stop-piolhos!
A casa revirada do avesso!
Roupa toda para a máquina! Pilhas de roupa e piolhos, gordos e com antenas!

Ufa, o que vale é que é verão e seca tudo rápido... Éfe ó dê à é ase ésse é, chuva? Chuva, São Pedro? Em dia de combate a piolhos? A sério, meu? Éfe ó dê à é ase ésse é! Sim, fodasse, sem hífen e gutural! Meu, a sério?

Duas crianças, com loções exterminadoras até ao pescoço (de cima para baixo, tá bom de ver!), a ver se a coisa se dá e a grupeta da comichão infernal dá o baza!

Ó gente, assim gordos e com antenas, a rabear nas cabeça das riquezas de sua mãe! Gordos... arre porra!

E assim foi tudo a eito lá em casa, e agora são kilos de roupa por lavar e por secar e por dobrar e por arrumar!

Ó pessoas, não há um sitio ou cabeleireiro onde enfiam as cabeças dos miúdos nuns capacetes e exterminam de uma vez a piolhagem? Tenho ideia de ter visto qualquer coisa acerca disso.

Opá!

Bom fim de semana, pessoas!

P.S: Só espero que as outras mães sejam tão implacáveis como eu e o Arnold, e eliminem os parasitas del inferno capilar!

8.7.15

É toda uma cena. Ó sorte, marreca!

Uma mulher entrou na loja e deu-me umas palmadas no braço, olhou-me de soslaio, garantiu ser da polícia judiciária e após gritar que queria santos antónios, fossem como fossem, ainda rogou 3 ou 4 pragas, indecifráveis entre os gafanhotos que me lançou. Espetou um dedo, bem espetado, lançou raios e coriscos e saiu porta fora. Uma única vez e pareceu que não tinha fim. Ó sorte, marreca!
Tenho um canteiro que precisa de ser arranjado. Lá no canteiro estão umas flores que abrem quando apanham sol. Do outro lado do canteiro costuma estar um tipo, gordo, com cabelo oleoso, com uns calções acima do umbigo, daqueles que arrepanham o rabo, e encaracolam no entrepernas, para completar usa daqueles pólos à Wes Anderson, anos 70, em tons de nódoas, castanho e cor de tijolo. Grita impropérios enquanto afaga as flores do meu canteiro. Volta e meia dá-lhe para isto. E eu penso nas florinhas e nos arranjos que tenho que fazer no canteiro. Ó sorte, marreca!
Um vizinho tem lugar cativo para o carro. Assim que lhe bate o sol, coloca um lençol em cima do tejadilho, e depois uma manta, prende tudo, muito bem preso com molas da roupa e mira o dever cumprido. Todos os dias. Em frente à minha janela. Ó sorte, que tinhas que ser corcunda!
Na loja dos recuperados, cheia de tesouros, uma mulher, baixinha, guincha bom dia, e ai de quem não lhe responda. Sempre. E ainda por cima a senhora é marreca. A senhora e a minha sorte!
Eu e doidos temos uma cena comum. Estamos sempre no mesmo sitio e à mesma hora. É uma coisa que nos assiste. Um GPS infalível. At the roundabout make a u-turn. Nunca falha.
É isto, pessoas! Não falha. Boa semana!

19.6.15

Sou a Julieta.

Tenho 38 anos..irra, pá!
Tenho 1,58m de altura... Mal medidos... Por vezes sinto-me atarracada!
Sou arquitecta... Em dias pares... Em dias ímpares faço cenas para ganhar a vida... Cenas legais, mas muito boring!
Não quero ser arquitecta, muito menos que me chamem engenheira, mas tenho que ganhar a vida.
Sou mãe, de duas miúdas, giras que se fartam, chatas que se fartam, pessoas em formação! Desejo-lhes tudo de bom! Ainda assim lamento-lhes a sorte de me terem como mãe... Tantas tão boas e logo eu lhes calhei na rifa... Adoro-as... Um dia saberão isso!
Tenho celulite e ganas de fazer algo diferente na vida, em doses iguais, cinquenta-cinquenta! 
Digo que vou à ginástica, e vou, em dias ímpares ou anos bissextos.
Tenho ganas de ser alguma coisa que ainda não sou, e uma aptidão para continuar a ser o que já fui.
Mamas grandes, rabo gordo, e atarracada.
A sina, a sorte, o fado!
Estou. A crescer. Sei mais umas coisas. Ainda não são suficientes. Lá chegarei.
As mamas grandes dão cabo de mim. Atarracada. Mas gosto de coisas boas. Saborosas. Gosto de verde e de tinto. Cheio. Assado, grelhado e cozido. 
Espelhos. Espelhos. E eu.
Caras feias. Caras bonitas. O que eu tenho tu querias ter. O que tu tens eu desejo sem saber. Insatisfação. Ontem, hoje e amanhã. Eu. E eu. Eu. E eu. 
Atarracada.
Assim. 
Cinquenta-cinquenta.
Um espelho.
Ingrata. 
Tenho celulite e é verão.
Jurei treinar, jurei um esforço, jurei tentar.
Judas. Em dias impares e anos bissextos.
Lá chegarei.
Hoje? Amanhã?
Verde e tinto. Grelhado ou assado. 
Uma palavra com um éfe. Na loucura um cê.
Um espelho. E eu.
Quando é que vais ter coragem?
Num dia ímpar. E num ano bissexto.
Fui.

31.3.15

Entretanto o mundo gira.


Uma miúda tira selfies ao pé de um escorrega. De telefone em punho, com centenas de putos a correr e a fintá-la, ela calmamente faz boquinhas para o telefone em riste.

Uma mulher com idade para ter juízo tira selfies parada no semáforo. Mete o cabelo de lado, faz a boquinha, indecisa faz para a esquerda, depois para a direita, faz bocarra, opta por boquinha semi aberta, em charrogo. Cabeça de lado, sol de chapa na cara, bocarra e aquele ar de felicidade selfiana com cruzamento de asno. Um mimo está coisa de tirarmos selfies sem darmos conta das figurinhas que fazemos.

Alguém saca de um pau de selfie, espeta aquela cena, quase vaza os olhos de quem está à volta, e sai triunfante com mais uma foto sua e do pau. Selfies e paus.

Entretanto o mundo gira.

Uma mãe diz para a outra que o gajo mamava tanto que era quase um animal, aquele gajo. Assim mesmo, “gajo”, que é o melhor para se chamar a um puto mamão e gritá-lo aos sete ventos rodeada de gente. O gajo mamava, pá, tanto tanto.

A menina das senhas do ginásio insiste, diariamente, perante os meus educados “Boa tarde, eu queria…”, na piadinha Aurélio, empregado de mesa, a tão aureliana “Queria? Já não quer?”. E colmata com um sorrisinho… só me lembro que os paus de selfie podem ter muita utilidade para além das selfies.

Um tipo hesita avançar com o carro, olha, dá por um sorriso meu, que embrenhada em pensamentos sorrio por ter comprado uma pechincha, e decide avançar lentamente, olhando-me de lado, sorrindo de volta, com um boné e um garfo bem engolido que lhe dá aquele ar de sapo empertigado, e lança-me um olhar de matador. Valeu pela gargalhada que soltei logo de manhã em primeira segunda feira com uma hora a menos.

Entretanto o mundo gira.

Uma velhota tenta passar-me um saco de plástico na fila do supermercado. Diz-me que tem sacos de plástico até ao fim da vida e daí em diante. Porque ela fez o que todos devíamos ter feito, um saco de sacos, assim bem dobradinhos em triângulo. E eu se quiser é só pedir. Ainda há gente boa neste mundo, menina., mas está tudo perdido. Não quer? Está à vontade.

Um anúncio no OLX que vende sacos de plástico vintage, tem os melhores, continente, pingo doce. Raríssimos e muito cobiçados desde 15 de Fevereiro. E eu fico a achar que o melhor da vida é sem dúvida um sentido de humor apurado e partilhado.

Entretanto o mundo gira.

Um tipo  ao telefone tenta estacionar o carro. Manobra para cá. Manobra para lá. Eu à espera. Vá manobra. Nada. Entra, sai. Sai, entra. Numa nesga tento passar e sou brindada com um grande e sonoro - DASSSSSE, ESPERA, TEM CALMA ÓOOO - finta-me uma última vez e arranca. E eu, de sorriso de orelha a orelha ganho um super lugar num bairro tão difícil para estacionar. E depois as mulheres é que não sei quê, pois está muito bem e muito obrigada ao jeitoso do volante a quem desejo muitos paus de selfies.

Entretanto o mundo gira.

E é isto. Um fartote.

Boa semana, pessoas do fixe e do tá-se bem!

27.2.15

O dedo da asneira.

Em conversa com a Rosarinho:

- Um menino da minha escola fez o dedo da asneira à sua irmã.
- Que disparate. Isso é uma coisa muito feia!
- Outro menino da minha escola tem o dedo "Pai de Todos" magoado, não o consegue dobrar.
- Coitado...
- Agora não pode fechar a mão porque senão fica a fazer o dedo da asneira.
- Coitado... (e ri-me tanto por dentro só de imaginar a cena... não cresço, é um problema...)

A Mercês calada, ía ouvindo.

- O que é o dedo da asneira?
- Rosarinho, livra-te de dizeres... não interessa Mercês, é uma asneira e não interessa saber...
- Ó também já sei... se eu esticar o dedo "Pai de Todos" então isso é a asneira!
- Ó mãe, eu não lhe disse... jurooooo!

(Nem era preciso a miúda não é parva, tem 4 anos, mas não é parva!)

- Livra-te de o fazeres Maria Mercês! Estás a ouvir?

- Ó mãe e porque é o dedo "Pai de Todos" espetado é uma asneira? Hã?

- ... olha, olha chegamos. Vá bora tudo a sair do carro! Trálará Trálará!

Pessoas, H.E.L.P., prefiro explicar sementes do paizinho na mãezinha e barrigas com bebés e bebés a sair por onde e tal!

E agora, o dedo "Pai de Todos" espetado é asneira porquê?

Oh my god, ninguém disse que ía ser fácil... e é cada vez mais difícil!

Bom fim de semana, pessoas!

(só me rio à conta do miúdo que não pode fechar a mão senão fica a fazer o dedo da asneira! ai como é bom ser-se pequeno!)

20.2.15

As saudades de uma marmita.

Ontem com a barriga a roçar a bancada da cozinha enquanto fazia o jantar, já toda salpicada das idas e vindas ao lava-loiça, com os berros das crianças como música de fundo, tive umas saudades imensas da minha marmita, enfiada num saco de papel, que levava para o atelier onde trabalhava.
Incrível como se pode ter saudades de uma caixa de plástico, com sobras de um jantar, enfiada dentro de um saco de papel, enquanto se ouvem berros, sons de estalos a acertar em cheio na cara de uma mana mais exaltada, bonecos a voar e a aterrar na cabeça da irmã mais chata, gritos de “mãeee olha ela… mãeeeeeeeeee… ela bateu-me… mãe ela é uma mentirosa… mãeeeee… mãeeeeeee… MÃE!”
E que raio de volta deu o mundo, para eu ontem estar com a marmita no saco de papel a ouvir Coldplay na estação do metro e agora estar aqui, ser a mãe, e ter que apresentar um jantar digno desse nome, com vitaminas, proteínas e todas as inas que se exigem?
Eu como tantas mulheres por este país fora, passeie-me pelo Metro de Lisboa, transportando um saquinho de papel com sobras para o almoço. Antes havia gozado com cena tão suburbana. Que bela suburbana me viria a tornar. A justiça do mundo que ainda gira no sentido certo, pessoas!
Nessa outra vida dava ColdPaly e Killers no Metro em modo non stop, sempre as mesmas músicas, fosse a viagem feita de manhã à tarde ou à noite. E eu, achava tudo tão boring e sensaborão.
Ah essa outra vida, saía do atelier e lá ía eu, leve e célere para casa, fazer a mesma viagem de sempre para lá, pensar que seca, sem saber as saudades que iria ter daqueles dias, soltos e leves. Não das saídas à noite, não dos almoços tardios, não das idas ao cinema. Mas sim, saudades de uma marmita, e de chegadas, a casa, calmas e sempre directas ao sofá. Querido sofá…
Nessa altura, soutiens ortopédicos e com efeito grua, eram uma cena extraterrestre e só vista nas Cintas Extra Fortes do Chile, a minha barriga era já uma promessa de “dotcha” mas nada que eu ainda sequer imaginasse, e eu, jovem licenciada e candidata a intelectual da linha azul, munida de uma marmita e de um livro e de um saquinho de papel, debitava teorias sobre putos, os dos outros, claro, que eu nessa altura não sabia nada, e leve, caminhava na estação para lá e para cá, à espera do metro, sem saber que, anos mais tarde, seca, não é ouvir Coldplay em vira o disco e toca a mesma, seca ía ser sacar os lombinhos de pescada do invólucro de plástico congelado (sabem?) e concorrente directo da Super Cola 3.
“Mãeee olha ela… mãeeeeeeeeee… ela bateu-me… mãe ela é uma mentirosa… mãeeeee… mãeeeeeee… MÃE! Dá-me água! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe!”
No saquinho de papel ovos mexidos, ou massa de qualquer coisa, ou atum com feijão frade, ColdPlay e Killers, e um livro lido de pé, sentada, com mais ou menos solavancos numa linha de metro em hora de ponta.
Tenho um espelho por cima do lava-loiças, estrategicamente colocado de forma a conseguir lavar loiça e controlar crianças sentadas à mesa. Quem diria que, para além desta vida de bróculos e sopas passadas (“sem bocados, mãe, sem bocados, é nojento, eu vomito!”), eu ainda virava engenheira doméstica e criava à minha volta engenhocas controla crianças dadas à asneira e ao disparate?
Uma marmita, que saudades da marmita, que saudades das viagens de metro, que saudades da caminhada até casa, que saudades daquela entrada em casa, directa ao sofá, o sofá, ai pessoas, o sofá ainda é o mesmo, só a nossa relação já não é mesma. Querido sofá, mal me sento, há logo crianças vindas da travessia do Sahara, cheias de sede, deglutadoras de bolachas Maria, cenas épicas de miúdas à estalada, ou cenas ternurentas de mãe a ser esmagada contra o sofá, querido sofá, que já só me aninhas a roncar que nem uma perdida, com o corpo mole de tanto invólucro de plástico retirado à força, marmitas sonhadas em leves sonos de vigília a ranhos e tosses.
Saudades de mim antes. E de uma marmita, de massa ou de qualquer coisa rápida enfiada num saquinho de papel dividindo uma mão que folheia um livro numa carruagem instável na linha azul de uma estação de metro suburbana.
Ah gente, bom fim-de-semana!

19.2.15

Julieta no Veterinário .

Chego ao veterinário, com o Nico na transportadora, e à minha frente uma senhora, do tipo chorona, daquelas que falam em renhonhó, boas e queridas, sobretudo humanas, muito humanas e adoradoras de gatos.
Sento-me sossegada à espera de vez.
Atrás de mim 2 arrumadores de carros e um cão esperam a sua vez. Agitados e conversadores.
Ao meu lado senta-se uma rapariga com um mega cabelo afro. Adoro cabelos afros e acho que quanto maior mais espectacular, ainda assim começam a doer-me os rins por me ver obrigada a estar sentada num ângulo de cerca de 65 graus para evitar roçar no afro espectacular.
Uma senhora transporta o seu cão numa mala de viagem com o focinho de fora.
Um casal de gays e um gatinho muito fofo e muito branquinho e super mimado chegam e sentam-se mesmo atrás de mim.
A renhonhó saca do seu gatinho cá para fora e o casal de gays quer saber tudo. A renhonhó agradece e explica tudo, muito explicadinho. “Comeu um cortinado”. Ar pesaroso. “E agora vomita sangue”. Eu em ângulo de 65 graus para a direita, avanço o tronco ligeiramente para a frente porque agora os três estão em amena cavaqueira comigo no meio.
O casal tenta terminar a conversa mas a renhonhó decide partilhar fotografias da sua família felina. De acordo com o ar de espanto do casal acredito que tenha mais de 10 gatos.
A renhonhó sabe tudo de gatos e não se cala. E escova-os todos os dias.
Nos entretantos chega um grupo de pessoas, cada uma com um cão bebé ao colo, precisam viajar e de os vacinar. Na sala do veterinário começa-se então a discutir essa necessidade em países do espaço Schengen. Há uma voz que não sabe o que é isso de “Schengen”. Há explicações, dúvidas e certezas.
A sala está à pinha quando se ouvem uns barulhos estranhos.
Eu que já não posso dos rins, olho e vejo 3 pessoas surdas-mudas, que chegam do que parece o set do filme "Gato preto, gato branco", sendo que uma delas é cega, entrarem com 2 cães. 2 cães agitados e curiosos.
O grupo de 3 pessoas e um cão comunicam por gestos e bofetadas. Acredito que isto é verdadeiramente incrível porque sendo uma delas cega, surda e muda poder comunicar ainda que ao estaladão é notável.
O grupo das 3 pessoas olha em redor e escolhe os únicos lugares vagos. Ao pé de mim, sentada num ângulo de 65graus.
A pessoa cega, surda e muda senta-se ao meu lado, mas os seus companheiros não a avisam. Daí até eu levar a primeira estalada no braço não dura muito tempo. Aflita e com a pessoa a agitar-se e a trautear-me com os dedos, enormes, e a dar-me com o boletim de vacinas dos cães nas pernas começo a olhar para ela e a pensar como raio vou eu comunicar com esta pessoa. O que me vale é o grito de um dos seus companheiros de que eu não sou nenhum deles.
A pessoa cega, surda e muda para além de tudo é muito ciosa dos seus cães, se algum se afasta dá gritos de guerra. Um dos cães lembra-se então de se deitar aos meus pés.
Eu sentada num ângulo de 45graus, agora para a frente, para não levar nem estaladas nem roçar no afro espectacular, estou imóvel porque o cão aos meus pés assusta-se quando eu mexo um milímetro de mim e dá um salto. O seu dono sente, e começa a gritar sons de ordem guturais, o que agita sempre os companheiros e daí à amena cavaqueira, que se traduz em mais estalos e festas e dedilhar-se uns aos outros numa incrível língua gestual, é um instante.
Sentada, mordendo os lábios para não rir, imóvel por mais 1 hora e meia na cadeira, muito graças ao gato da renhonhó, que armado em tolo foi comer os cortinados que ela lá tem em casa, que, lógico, não podiam ser 2 panos de algodão, não, a renhonhó tem 15 gatos e vai e escolhe um cortinado de fitinhas… fitinhas engolidas pelo gato nº 7 que agora come e vomita.
Há momentos da minha vida que são filmes, são momentos como direi? Tarantinicos! Assim. De rajada. E eu fico para ali com aquela pérola na mão e penso que por muito se diga e escreva, nunca nada é tão mirabolante como a realidade.
E o que eu gostava de vos descrever isto e ser muito, muito politicamente incorreta? isso é que era!
Ah pessoas! Boa semana, gente!