6.11.13

A vida é como um jogo da Nintendo ou como o Super Mário Bros me tem guiado na vida!

Sou uma medricas. Sempre fui.

Ai que faço. Ai que aconteço. Mas isso é depois. Quando já me passaram todos os achaques e mariquices.

Para fazer qualquer coisa é todo um tormento. Descabelo-me. Tenho ataques de pânico sem os ter. Transpiro. Vou mil vezes à casa de banho. Fazer pinguinhas, nem sai nada… Desisto. Descabelo-me. Descabelo os outros. Normalmente o Gil. Antes era a minha mãe. Às vezes até os gatos. Ai que não consigo. Ai que não sou capaz. Ai que não. Ai que nem tento. Ai e se depois? E se? Se?

Bom, estão a ver o filme de classe C em que eu por vezes me enfio e protagonizo o papel principal, não estão? A diva da desgraça mais desgraçada, mais franciscana, mais pão e água, pão duro e água lamacenta? Estão a ver? Pois…

Há uns anos foi com o carro. Tirar a carta foi canja, passei a tudo à primeiríssima. No dramas! Pior foi quando já tinha a carta na mão. Infernizei os dias à minha mãe! Ai que nunca vou conduzir, ai que sou uma lontra e as lontras não nasceram para conduzir, ai eu isto, ai eu aquilo, ai que serei velha e ainda irei no 17 para a praça da Figueira, ai, ai, ai! Um inferno! Depois fiquei com o “Queijolas”, o mítico Peugeot 205, da minha irmã. Novo drama. EU NÃO VOU SOZINHA POR AÍ FORA. EU, A CONDUZIR? Infernizei o Gil, dei-lhe conta da paciência. E mantive-me fiel ao 49 para a Universidade. Até ao dia. Até ao dia em que de manhã em frente ao espelho vi uma parva. Nesse dia fiz o caminho igual ao autocarro. Garanti que se me arrependesse, estacionava e apanhava o fiel 49. Não foi preciso e nunca mais larguei o carro.

Ver a vida como um jogo da Nintendo. Primeiro é difícil passar o 1º nível. Ficamos para ali horas agarradas áquilo. Tic tic tic tic e nada. Depois lentamente lá vamos passando os níveis e saindo vitoriosos.

Pois então comecei a guiar-me pelos ensinamentos do Super Mário e juntos temos vindo a passar alguns níveis.

Com a conversa de ontem e com a entrega do diploma amanhã tive que ir buscar esta minha força virtual e pensar que de facto temos que arriscar. Só que custa tanto, tanto! Dá tanto trabalho…

Da última vez que arrisquei lá me safei. Nessa altura tinha acabado de ter a Rosarinho. Ainda com dores do parto lá fui a uma entrevista e fiquei. Percorri milhares de quilómetros e durante anos tenho feito algo que gosto mas não me preenche, no entanto paga as contas. Mal, por estes dias, mas paga!

Amanhã recebo um diploma e tenho terror de avançar. Tenho um medo… fico petrificada só de pensar em fazer alguma coisa e à minha volta vejo gente a fazê-lo com o maior dos à vontades e sem nunca se ter esforçado por aprender ou fazer melhor, fazem e pronto! E eu para aqui com teorias…

Tic tic tic tic, um nível tic tic tic outro nível… tic tic tic… tic tic tic…

Dias difíceis, gente, dias de decisões e muito cu encolhido por estes lados… tic tic tic tic tic!A ver se consigo passar outro nível... tic tic tic...

Boa semana, pessoas! Vou ali debitar iguais teorias sobre o Tetris e ver se encaixo ideias.

Até já!


5.11.13

Hoje estou que não me aturam. E ontem já estava assim. E amanhã não sei.

A minha vida está naquele impasse merdoso: “E agora vou para onde?”

Na quinta-feira recebo um diploma. Mais um. Não que eu seja uma suprassumo diplomada. Aliás, a bem da verdade, os meus diplomas são uma coisa fascinante que eu tenho na vida mas que não me têm levado muito longe. E eu não tenho sabido o que fazer com eles.

Ora ontem estava eu no talho a aguardar a minha vez, pacientemente, e a senhora a ser atendida dizia perentória. “Veja lá isso, tire-me as orelhas ao coelho, não quero levar nada disso…”

- Ó minha senhora quais orelhas?
- Opá esses buracos… tire-me isso tudo!
- Os ouvidos?

Eu ria. O homem do talho esfrangalhava a cabeça do coelho. A mulher garantia que não levava para casa canais auditivos do coelho.

Hoje no carro contei este episódio ao Gil e conclui. O mais interessante do meu dia tinha sido a carnificina no talho. A cabeça do coelho trás, trás, trás, o homem do talho com o cutelo em riste e a senhora a debitar teoria sobre buracos e orelhas.

Preciso de um par de chinelos e de um pijama. Hoje ainda tenho que ir a casa estender camisas. Conto cozinhar almondegas para o jantar. Com massa. Daquela que parece rabos de porcos. Os dias passam.

Estou outra vez no talho a rir-me. A rir-me. Que interessante é a minha vida. Se calhar devia ver televisão. Sempre me ria de alguma coisa com sentido ou sem sentido nenhum. As orelhas do pobre do coelho. E eu para ali a rir. “Olhe dê-me aí uma caixa de almôndegas sem orelhas”!

Um amigo da loja insiste em contar-me todas as virtudes e proezas dos seus filhos e da sua mulher, eu ali fico a ouvir, a ouvir, a ouvir, perco-me nos meus pensamentos de estendais e panelas e esfregonas…

- Viu ontem a minha filha na TVI? E anteontem na RTP?

Eu nem sei quem é a filha desta criatura que olha para mim espantada quando eu aceno que não, não vi, aliás nem a filha dele nem ninguém. Eu pouco vejo televisão. No máximo enlouqueço o Gil com o meu zapping frenético e concluo que não dá nada de jeito… OPÁ A QUE HORAS DÁ “OS PORTUGUESES PELO MUNDO”? Segui tudo e agora não sei quando dá e já não temos aquilo a gravar… aquilo é o MEO! Oh MEO Deus!

E eu no talho. E eu ao pé do fogão. E eu a estender roupa. Viu a minha filha? A brilhante e linda, a minha filha? E as orelhas do coelho! Tire-me isso tudo! Zapping, zapping, zapping e nada de jeito. Nunca nada de jeito.

Ai serei só eu com esta neura outunal “lá se foi o verão e agora vem o frio e mais um ano de trabalho que não motiva ninguém e pardais pardais pardais”? Serei? E o que faço eu com outro diploma? Zapping?

Ai gente… que neuuuuuuuuuuuuuuuuuura pá!