Ó gente das energias, ó gente do esoterismo, das indias, do vodu e do budismo, de deus e de alá, ó gente da santinha da ladeira e dos espiritos, ó gente do jorge jesus e do camandro, ó gente de todos os credos e religiões, digam-me de vossa justiça, respondam-me a esta questão simples:
- Porque raios, passados tantos anos, a vida me coloca no caminho 2 sacaninhas, daquele tipo "se eu quero uma coisa e tu estás no meu caminho passo-te por cima em segundos"?
Porquê? Eu já os tinha esquecido, eu nunca gostei deles, fizeram as "filhinhadaputice" quando tiveram que fazer, nunca mais pensei nestas criaturas e agora aparecem-me do nada e numa posição em que vão fazer parte do meu dia a dia e eu não tenho escolha!
Ó foda-se pra isto! Tá dito! Tá dito! Bate na boca Julieta! Tá dito! *Dasssssssse pá!
Eu não lhes fiquei a dever nada, nicles, rien! Nem acho que me tenham ficado a dever nada!
São, ou eram, umas avantesmas, duas abéculas, "uns pessoas" apenas, das quais não quero saber nada, nada, nada!
Opá que azar!
Isto não ajuda quem recomeçou a dieta, pá! ai que me atiro ao esparguete! ai que vou ao arroz! Pão! Pãaaaaaao! Preciso de pão! migaaaaaalhinhaaaaas...
É que há dias que sinceramente...
Universo espero que isto valha a pena, que eu vou ter que engolir muito sapo!
E já agora, engolir "sapos" engordará?
Fui gente, pregar prá santa! Haja pachorra!
12.9.13
6.9.13
Dona Julieta. 37 anos.
Exaspera-me.
Detesto que me tratem por Dona. Evito tratar seja quem for por Dona.
Assim que oiço "Dona Julieta" sou de imediato remetida para a casa das cintas fortes na praça do Chile. Toda eu encarquilho perante a visão de mim enquanto dona Julieta, velha e caquética com falhas de memória.
Claro que fazer 37 anos tem as suas vantagens e assim de repente enumero logo uma das mais importantes para mim. Exposição ao ridículo. É muito bom chegar a esta idade mais crescida, porque o ridículo passa a ser nosso aliado invés de ser uma ansiedade e uma limitação no nosso comportamento social.
É tão bom poder dizer o que nos vai na alma, poder fazer coisas e tomar atitudes que anteriormente, e do alto da nossa adolescência, sobretudo, nos limitava e tornava hirtos perante situações, com terror de cair no ridículo e sermos alvo de gozo, ou ainda pior, a vergonha alheia tão mal direccionada e a atingir quem mais gostava de nós.
Isto tudo para dizer que ando a lidar mal com isto da idade. Portanto estou em processo de "o melhor é não entrar em paranóias e gozar esta e todas as outras idades que ainda vou percorrer e lembrar-me que o tempo não volta para trás" ou " deixa de ser parva Julieta Emília".
Quando esta semana me vi no supermercado a comprar material escolar para a minha filha que já (JÁ?) vai fazer 6 anos (COMO? Se ainda ontem eu olhei para o teste de gravidez, se ainda ontem estava na minha barriga, se ainda ontem aprendeu a andar?), apeteceu- me fugir dali para fora, ir para um banco de jardim ou para a praia, kafekakiar por aí, experimentar roupa na zara e na bershka, preocupar-me em ter trocos para o cinema e cigarros, pensar onde vou sair na sexta, ouvir pixies em cassetes gravadas e regravadas... Ter outra vez 20 anos e conduzir o meu queijolas ( peugeot 205 mítico) e pensar como vou ter dinheiro para a gasolina e onde vamos passar o próximo fim de ano...
Na lavandaria insistem em tratar-me por Dona Julieta. Na lavandaria eu sou a única responsável pelas capas do sofá que levei para serem limpas. Sou eu que decido se aceito ou não o orçamento. Dentro da lavandaria tenho uma revelação mística, olho para mim, Dona Julieta, 37 anos, a única responsável por estas capas de sofá, e penso:" Cresci, caraças pá!"
- Dona Julieta, depois telefonamos quando estiverem prontas, não se preocupe vá descansada.
Dona Julieta. Sou de novo remetida para a casa das cintas fortes na praça do Chile com passagem pelas meias Ferrador. Eu de cinta, eu de cuecas altas de algodão, eu de meias de descanso... Esperem lá! Então e a epifania na lavandaria?
Se tiver de enfiar o rabo numas cuecas altas de algodão, pois que seja assim mesmo, who cares? Assim como assim nunca fui de fios dental enfiados em locais estranhos e vendo bem as coisas cuecas altas de algodão sempre as tive... Apologista do conforto, fundamentalista do algodão, ridícula? So what?
37 anos. Na boa, manos. Esta agora é a minha cena. Este ano tem que ser de mudanças. Novo cenário. Butes bazar aos 37 e aproveitar a vibe? Bora lá minha gente!
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