29.12.14

Bom ano, gente!

Bom ano, gente!

Hoje queimei a língua, o céu da boca e até os dentes da frente com uma canja a ferver, uma grandessíssima filha de galinha torta de uma tigela de canja que por 3 vezes saiu morna do microondas e à quarta vez, dissimulada como só uma canja pode ser, e sem vestígios de vapores nem fumos, sorvi sofregamente directamente da tigela julgando-a uma vez mais morna... até os dentes queimei... estou portanto com um humor de gato escaldado em dia de vacinas e exames endoscópicos da bexiga. 

Com isto tudo, diz que é fim do ano.

E com o final do ano vêm aquelas listas intermináveis de acontecimentos e balanços do ano transato. 

Não gosto de balanços do ano nem da palavra transato que só me lembra as finanças em mês de IVA e IRS.

Enerva-me que daqui até ao princípio de Janeiro as publicações só falem do ano que passou... e eu até os dentes queimei... 

Eu sei que se tivesse tido "O" ano haveria de gostar de fazer um apanhado dos melhores momentos.

Como o meu ano foi sensaborão e completamente boring até mais não, deixo-o quieto na sua eternidade e adeus ó vai-te embora.

Para o próximo ano continuo a querer aquilo que sempre quis e aquilo com que gasto todas as hipóteses de formular desejos: saúde!

Quero estar forte e rija e que os meus estejam fortes e rijos e que os do lado estejam fortes e rijos. E que nunca mais nenhuma canja se dissimule por trás de uma camada de gordura galinácea e, por não fumegar nem dar sinais de fervura, deixe alguém com a boca a ferver... até os dentes, gente, até os dentes queimei...

E é rija e forte que vos desejo, pessoas daqui, e do lado, e dos arredores, um ano cheio daquilo que mais desejam e anseiam.

Que isto com saúde faz-se tudo, até mesmo mais do mesmo, menos do menos ou mais do mais ou ainda mais e mais para chegar ao tanto!

E cuidado com as tigelas de canja... depois das festas é um ver se te avias de canjas ultrafumegantes e desintoxicadoras de excessos natalícios.

Bom ano, gente! 

22.12.14

Julieta Perú.

A sorte é que não vou acabar no forno.

No entanto esta é a época da engorda. E eu, meus caros, já estou de bocarra aberta.

 Um tubo pronto a receber as rabanadas, oh as rabanadas, o bolo rei, oh o bolo rei, desde que deixei de ser essa miúda fixe (que eu um dia já fui… sem rugas, peles flácidas, cenas de pelos, frentes avantajadas…) e passei a ser a minha senhora na fila da drogaria, que o bolo rei passou a ser “oh o bolo rei”, e tudo e tudo que tenha canela e açucar e seja lixado para os dedos e as mãos, que invariavelmente vão ficar lambuzados, tão maravilhosamente lambuzados, passou a ser “oh a canela e o açucar”!

Portei-me tão bem nas últimas semanas! Sou um exemplo a seguir. Força de vontade não me tem faltado. E, se por agora só ainda consigo ir 3 vezes por semana ao ginásio, em Janeiro é que vão ser elas, oh yeah! (porque agora ainda tenho muita fome depois dos treinos e vou ter que aprender a controlar isto…).

Claro que esta vossa amiga tem um não sei quê de perú, gordo e anafado, só me falta “gluglugar”.

Dei por esta minha tendêndia numa aula dos infernos lá no ginásio e a epifania foi imediata!

Julieta, Perú, ginásio, natal.

Mulher, tu abre-me bem essas goelas agora. Tu aproveita. Come, minha senhora, come tudo!

Lembra-te: A engorda é entre o fim de ano e o natal, nunca entre o natal e o fim de ano. Portanto 2 mais dois. Et voilá.

O meu momento perú.

Ah minhas pessoas, vou aproveitar. 

Mais não fosse para arranjar energia para as aulas dos infernos. 
Eu, mulher perú. Deitada de barriga para baixo. O professor a guinchar: “Levantem as pernas e os braços, um pouco do tronco, só fica a barriga no chão… levanta… levanta… Aquele ar piedoso: “quem não consegue levantar muito levanta pouco…” Eu esparramada a tentar levantar toda uma frente por partes… mamas e coxas levantadas, pança quieta… mamaaaaaaaas pesadas que nem chumbo, coxas qual cavalinho que não saía do lugar tralálá… quen não consegue levantar muito, levanta pouco… quanto é pouco? Assim só para eu saber… 1mm?...

E vai ser assim todo o ano. Entre o fim do ano e o natal. Levanta… levanta… vergaaaaaaaaaaa… está a doer? Está? É mesmo para doer… sofre… levanta… mais oito… outras oito… mais dez… vergaaaaaaaaa…verga… toda uma frente… anos de decisões mal tomadas entre o fim de ano e o natal! 

Mulher perú! Na engorda desde 1987! Agora olha, temos pena… e toda uma frente para levantar como deve ser entre o fim de ano e o natal!
De joelhos no chão do ginásio, meio cambaleante, mas vitoriosa!

Ah gente, vai ser a desforra. Vai ser a minha asneira!

Ou não. Ainda não enlouqueci! Brincadeirinha… até porque não há estômago que aguente estes dias… mas ainda assim vai ser a bombar!

Bom, o que é certo é que chegou a hora da lambuza, e natal sem açúcar e canela, convenhamos minha gente, convenhamos!...

Aquele abraço, aquele beijo repenicado, aqueles desejos de tudo de bom e doce, pessoas!

Feliz natal, queridas pessoas!

12.12.14

Uma prumada, várias famílias.

00:02

Eu, já refastelada para dormir, começo a ouvir o recém nascido de cima a começar a choramingar.
Do choramingar passou ao choro estridente que caracteriza estes pequenos seres, maravilhas da natureza que eu muito prezo… em suas casas, no seio das suas famílias, maravilhosos e fofos, mas com uma distância simpática, e sempre a lembrarem-me a minha dose, que me chegou muito bem, muito obrigada.
Sua mãe é uma das minhas vizinhas giras. Aquela que eu ainda não vi no pós-parto, mas que me dava um jeitaço que estivesse mamalhuda e a vestir 2 números acima… não sou santa, gente! por mim ela tinha ficado gorda e cuzuda… okai, okai, deus não dorme e o buda não vai emagrecer, e sim a minha vizinha de cima vai continuar gira que se farta… ai esta vida…
Bom, isto tudo para dizer que na prumada de cima, do lado direito, vai tudo muito bem, o puto chora, o puto berra, e só se ouve uma voz doce (gira e com a voz doce… buuuuuufo e reviro os olhos!): “O que foi bebé? Porque chora bebé?” E renhonhó, e renhonhó… e o puto que até deve ser um santo (que as giras, só têm santos, só têm o rabo pequeno e até nem gostam de pão com manteiga… buuuuuufo e reviro os olhos!) cala-se e não se ouve mais durante uma semana… rabos pequenos,  bebés dorminhocos… buuuuuufo e reviro os olhos! obrigadinha ó deus e obrigadinha ó buda e obrigadinha ao pessoal todo aí das sortes do reino dos céus!

03:11

Acordo, estremunhada e arregalo os olhos. A miúda de baixo grita e chora e com toda a certeza esperneia...buuuuuufo e reviro os olhos! A miúda grita, e a super mãe nem se ouve, a miúda grita e o super pai nem se ouve… não sei se alguma vez dos disse mas acredito piamente que habito no andar por cima de uma família onde o pai e a mãe devem ser super! supra-sumos da maternidade e da paternidade… os putos gritam e correm e correm e gritam e de vez a vez, muito de vez a vez, ouve-se um leve e doce ai ai ai...buuuuuufo e reviro os olhos! e sim, fazem as refeições a horas certinhas e cozinham todos os dias, e deve lá haver sopa sempre… o meu exaustor é todo um mundo, todo um mundo… e a miúda lá se cala e voltamos ao reino dos sonhos.

08:27 [a entrada na escola é às 09:00, tolerância até às 09:15, e entre nós e a escola existe a CRIL, a entrada na 2ªCircular, a Radial de Benfica, a descida de Entrecampos… a descida de Entrecampos…pos…possa! possas e semáforos… tantos… sempre vermelhos…os…ossas!]

É tudo à pressa… é tudo aos gritos… veste-te... anda cá, dá cá o braço... não faças a perna mole, assim não te consigo vestir os collants... come… come… vá mastiga! [Eu às vezes pergunto-me: o que é que estas miúdas dirão um dia na terapia? qualquer coisa como a minha era tão tarada que nos controlava a mastigação!?…]

 - Lava os dentes, esfrega bem, dos dois lados…

E elas paradas… a escova na mão… a pasta a cair… a 2ªCircular a encher… a mão languida…  a escova… a radial de Benfica… Lava os dentes!
Eu possessa a gritar em modo grunho das cavernas no pós inspirar de hélio:

 - Laaaaaaaavaaaaaaa os deeeeeentessssss! Esfregaaaaaa dos dois lados!

E sai-me em histeria… gritos… descabelo-me… mesmo… porque até a minha cabeça abana… a 2ª circular e a folha dos atrasos… "vai ter que assinar mãe… está atrasada, já são 09:22… tem aqui a folha… assine aí… a hora aí…"

Uma prumada.
Por cima a mãe do rabo pequeno e grrrrrr perfeito e com o bebé dorminhoco…
Por baixo a super mãe das rotinas tão certinhas…

No meio, eu. E a CRIL, e a entrada na 2ªCircular, e a Radial de Benfica, e a descida de Entrecampos… e a folhinha dos atrasos… e os dentes por lavar!

No meio, eu. A camisola acabada de vestir com a pasta dos dentes a escorrer.. não grites, Julieta! controla-te, Julieta! olha a tensão, Julieta! Olha o rabo da vizinha de cima, cada vez mais pequeno, nem que tenha 6 putos em 6 anos… essa não grita… nem se ouve… o puto chora à semana… a sério? A de baixo tem sopinhas... todos os dias... dizes tu... e o teu exaustor... um mundo o meu exaustor... todo um mundo!

 - Laaaaaaaavaaaaaaa os deeeeeentessssss! Esfregaaaaaa dos dois lados!

Uma prumada, várias famílias. Num prédio perto de si.

Bom fim de semana, pessoas!

9.12.14

O meu primeiro momento jarreta.

Hoje, perante um semáforo dos infernos, e uma sorte marreca de ser a primeira da fila, estanquei.
Jarretei em todo o meu esplendor.
Como, até estava um nadinha para lá do campo de visão do sacana do semáforo, a minha posição não podia ser pior. Um nadinha chegada para a frente, com o volante a tocar-me no queixo e eu com cara de monga a olhar para a luz vermelha.
Só que o sol estava de frente para o semáforo.

Assim de chapa.
Portanto estar verde passou a ser uma mera suposição, um tiro no escuro, uma bala no revólver.
Como os entas se aproximam, aqui a vossa amiga não passou. Até porque me parecia mesmo que estava vermelho.
Desgraçadamente não se conseguia ver o semáforo dos peões, para uma pista.
E ali fiquei, especada.
E uma fila atrás de mim. E eu freeeeeze!E buzinas. Buzinadelas. Impropérios. E eu ali. Especada. A abanar a cabeça e a dizer que não, passem por cima, não vou passar o sinal vermelho.
Humilhantemente fui passada por uma nerd num chaço, tipo Kadett... castanho... porra tinha que ser castanho?... há lá pior, gente? E não me venham com moralidades, a jarreta sou eu, e por sinal também conduzo um chaço, portanto... tenho moral para chamar chaço ao carro dos outros... e estou quase nos entas...
A nerd passou-me, um tipo bufante passou-me, sempre ao som de claxons furibundos.

Até que um pára ao meu lado:

- Tá verde senhora, tá verde há muito tempo, senhora...

- Não está não, está vermelho...óooooooooo!

E a voz saiu-me esganiçada e eu sem um buraco para me enfiar... mas eu tinha a certeza, gente... a certeza...

- Tá verde senhora, tá verde há muito tempo, senhora... xiçaaaaaaaaaaaa!

Lá arranquei, porque atrás de mim um jipe da GNR parecia estar a querer ultrapassar-me.
Ai gente, será que estou de todo?
Deve ser de mais um ano a terminar e eu, assim, freeeeeze, na mesma, sem nada para assinalar do ano de 2014, freeeeze e sem bateria, nem cabos de bateria, para aqui especada, a ver se fica verde...
Há dias assim. E hoje é um desses dias.
Boa semana, pessoas!