27.2.15

O dedo da asneira.

Em conversa com a Rosarinho:

- Um menino da minha escola fez o dedo da asneira à sua irmã.
- Que disparate. Isso é uma coisa muito feia!
- Outro menino da minha escola tem o dedo "Pai de Todos" magoado, não o consegue dobrar.
- Coitado...
- Agora não pode fechar a mão porque senão fica a fazer o dedo da asneira.
- Coitado... (e ri-me tanto por dentro só de imaginar a cena... não cresço, é um problema...)

A Mercês calada, ía ouvindo.

- O que é o dedo da asneira?
- Rosarinho, livra-te de dizeres... não interessa Mercês, é uma asneira e não interessa saber...
- Ó também já sei... se eu esticar o dedo "Pai de Todos" então isso é a asneira!
- Ó mãe, eu não lhe disse... jurooooo!

(Nem era preciso a miúda não é parva, tem 4 anos, mas não é parva!)

- Livra-te de o fazeres Maria Mercês! Estás a ouvir?

- Ó mãe e porque é o dedo "Pai de Todos" espetado é uma asneira? Hã?

- ... olha, olha chegamos. Vá bora tudo a sair do carro! Trálará Trálará!

Pessoas, H.E.L.P., prefiro explicar sementes do paizinho na mãezinha e barrigas com bebés e bebés a sair por onde e tal!

E agora, o dedo "Pai de Todos" espetado é asneira porquê?

Oh my god, ninguém disse que ía ser fácil... e é cada vez mais difícil!

Bom fim de semana, pessoas!

(só me rio à conta do miúdo que não pode fechar a mão senão fica a fazer o dedo da asneira! ai como é bom ser-se pequeno!)

20.2.15

As saudades de uma marmita.

Ontem com a barriga a roçar a bancada da cozinha enquanto fazia o jantar, já toda salpicada das idas e vindas ao lava-loiça, com os berros das crianças como música de fundo, tive umas saudades imensas da minha marmita, enfiada num saco de papel, que levava para o atelier onde trabalhava.
Incrível como se pode ter saudades de uma caixa de plástico, com sobras de um jantar, enfiada dentro de um saco de papel, enquanto se ouvem berros, sons de estalos a acertar em cheio na cara de uma mana mais exaltada, bonecos a voar e a aterrar na cabeça da irmã mais chata, gritos de “mãeee olha ela… mãeeeeeeeeee… ela bateu-me… mãe ela é uma mentirosa… mãeeeee… mãeeeeeee… MÃE!”
E que raio de volta deu o mundo, para eu ontem estar com a marmita no saco de papel a ouvir Coldplay na estação do metro e agora estar aqui, ser a mãe, e ter que apresentar um jantar digno desse nome, com vitaminas, proteínas e todas as inas que se exigem?
Eu como tantas mulheres por este país fora, passeie-me pelo Metro de Lisboa, transportando um saquinho de papel com sobras para o almoço. Antes havia gozado com cena tão suburbana. Que bela suburbana me viria a tornar. A justiça do mundo que ainda gira no sentido certo, pessoas!
Nessa outra vida dava ColdPaly e Killers no Metro em modo non stop, sempre as mesmas músicas, fosse a viagem feita de manhã à tarde ou à noite. E eu, achava tudo tão boring e sensaborão.
Ah essa outra vida, saía do atelier e lá ía eu, leve e célere para casa, fazer a mesma viagem de sempre para lá, pensar que seca, sem saber as saudades que iria ter daqueles dias, soltos e leves. Não das saídas à noite, não dos almoços tardios, não das idas ao cinema. Mas sim, saudades de uma marmita, e de chegadas, a casa, calmas e sempre directas ao sofá. Querido sofá…
Nessa altura, soutiens ortopédicos e com efeito grua, eram uma cena extraterrestre e só vista nas Cintas Extra Fortes do Chile, a minha barriga era já uma promessa de “dotcha” mas nada que eu ainda sequer imaginasse, e eu, jovem licenciada e candidata a intelectual da linha azul, munida de uma marmita e de um livro e de um saquinho de papel, debitava teorias sobre putos, os dos outros, claro, que eu nessa altura não sabia nada, e leve, caminhava na estação para lá e para cá, à espera do metro, sem saber que, anos mais tarde, seca, não é ouvir Coldplay em vira o disco e toca a mesma, seca ía ser sacar os lombinhos de pescada do invólucro de plástico congelado (sabem?) e concorrente directo da Super Cola 3.
“Mãeee olha ela… mãeeeeeeeeee… ela bateu-me… mãe ela é uma mentirosa… mãeeeee… mãeeeeeee… MÃE! Dá-me água! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe! Mãe!”
No saquinho de papel ovos mexidos, ou massa de qualquer coisa, ou atum com feijão frade, ColdPlay e Killers, e um livro lido de pé, sentada, com mais ou menos solavancos numa linha de metro em hora de ponta.
Tenho um espelho por cima do lava-loiças, estrategicamente colocado de forma a conseguir lavar loiça e controlar crianças sentadas à mesa. Quem diria que, para além desta vida de bróculos e sopas passadas (“sem bocados, mãe, sem bocados, é nojento, eu vomito!”), eu ainda virava engenheira doméstica e criava à minha volta engenhocas controla crianças dadas à asneira e ao disparate?
Uma marmita, que saudades da marmita, que saudades das viagens de metro, que saudades da caminhada até casa, que saudades daquela entrada em casa, directa ao sofá, o sofá, ai pessoas, o sofá ainda é o mesmo, só a nossa relação já não é mesma. Querido sofá, mal me sento, há logo crianças vindas da travessia do Sahara, cheias de sede, deglutadoras de bolachas Maria, cenas épicas de miúdas à estalada, ou cenas ternurentas de mãe a ser esmagada contra o sofá, querido sofá, que já só me aninhas a roncar que nem uma perdida, com o corpo mole de tanto invólucro de plástico retirado à força, marmitas sonhadas em leves sonos de vigília a ranhos e tosses.
Saudades de mim antes. E de uma marmita, de massa ou de qualquer coisa rápida enfiada num saquinho de papel dividindo uma mão que folheia um livro numa carruagem instável na linha azul de uma estação de metro suburbana.
Ah gente, bom fim-de-semana!

19.2.15

Julieta no Veterinário .

Chego ao veterinário, com o Nico na transportadora, e à minha frente uma senhora, do tipo chorona, daquelas que falam em renhonhó, boas e queridas, sobretudo humanas, muito humanas e adoradoras de gatos.
Sento-me sossegada à espera de vez.
Atrás de mim 2 arrumadores de carros e um cão esperam a sua vez. Agitados e conversadores.
Ao meu lado senta-se uma rapariga com um mega cabelo afro. Adoro cabelos afros e acho que quanto maior mais espectacular, ainda assim começam a doer-me os rins por me ver obrigada a estar sentada num ângulo de cerca de 65 graus para evitar roçar no afro espectacular.
Uma senhora transporta o seu cão numa mala de viagem com o focinho de fora.
Um casal de gays e um gatinho muito fofo e muito branquinho e super mimado chegam e sentam-se mesmo atrás de mim.
A renhonhó saca do seu gatinho cá para fora e o casal de gays quer saber tudo. A renhonhó agradece e explica tudo, muito explicadinho. “Comeu um cortinado”. Ar pesaroso. “E agora vomita sangue”. Eu em ângulo de 65 graus para a direita, avanço o tronco ligeiramente para a frente porque agora os três estão em amena cavaqueira comigo no meio.
O casal tenta terminar a conversa mas a renhonhó decide partilhar fotografias da sua família felina. De acordo com o ar de espanto do casal acredito que tenha mais de 10 gatos.
A renhonhó sabe tudo de gatos e não se cala. E escova-os todos os dias.
Nos entretantos chega um grupo de pessoas, cada uma com um cão bebé ao colo, precisam viajar e de os vacinar. Na sala do veterinário começa-se então a discutir essa necessidade em países do espaço Schengen. Há uma voz que não sabe o que é isso de “Schengen”. Há explicações, dúvidas e certezas.
A sala está à pinha quando se ouvem uns barulhos estranhos.
Eu que já não posso dos rins, olho e vejo 3 pessoas surdas-mudas, que chegam do que parece o set do filme "Gato preto, gato branco", sendo que uma delas é cega, entrarem com 2 cães. 2 cães agitados e curiosos.
O grupo de 3 pessoas e um cão comunicam por gestos e bofetadas. Acredito que isto é verdadeiramente incrível porque sendo uma delas cega, surda e muda poder comunicar ainda que ao estaladão é notável.
O grupo das 3 pessoas olha em redor e escolhe os únicos lugares vagos. Ao pé de mim, sentada num ângulo de 65graus.
A pessoa cega, surda e muda senta-se ao meu lado, mas os seus companheiros não a avisam. Daí até eu levar a primeira estalada no braço não dura muito tempo. Aflita e com a pessoa a agitar-se e a trautear-me com os dedos, enormes, e a dar-me com o boletim de vacinas dos cães nas pernas começo a olhar para ela e a pensar como raio vou eu comunicar com esta pessoa. O que me vale é o grito de um dos seus companheiros de que eu não sou nenhum deles.
A pessoa cega, surda e muda para além de tudo é muito ciosa dos seus cães, se algum se afasta dá gritos de guerra. Um dos cães lembra-se então de se deitar aos meus pés.
Eu sentada num ângulo de 45graus, agora para a frente, para não levar nem estaladas nem roçar no afro espectacular, estou imóvel porque o cão aos meus pés assusta-se quando eu mexo um milímetro de mim e dá um salto. O seu dono sente, e começa a gritar sons de ordem guturais, o que agita sempre os companheiros e daí à amena cavaqueira, que se traduz em mais estalos e festas e dedilhar-se uns aos outros numa incrível língua gestual, é um instante.
Sentada, mordendo os lábios para não rir, imóvel por mais 1 hora e meia na cadeira, muito graças ao gato da renhonhó, que armado em tolo foi comer os cortinados que ela lá tem em casa, que, lógico, não podiam ser 2 panos de algodão, não, a renhonhó tem 15 gatos e vai e escolhe um cortinado de fitinhas… fitinhas engolidas pelo gato nº 7 que agora come e vomita.
Há momentos da minha vida que são filmes, são momentos como direi? Tarantinicos! Assim. De rajada. E eu fico para ali com aquela pérola na mão e penso que por muito se diga e escreva, nunca nada é tão mirabolante como a realidade.
E o que eu gostava de vos descrever isto e ser muito, muito politicamente incorreta? isso é que era!
Ah pessoas! Boa semana, gente!

6.2.15

Postzinho inspirador.

Depois das festas, depois da tendinite no pé que me lixou as idas ao ginásio, depois de uma conjuntivite à séria que já só serviu de desculpa para não ir ao ginásio, depois de idas ao ginásio sem um horário certo, o que convenhamos lixa os planos, ontem respirei fundo e fui!
Regressei à classe dos infernos!

Não me tenho portado assim tão mal.
Tenho ido ao ginásio e feito sessões de passadeira em que os gastos são bastante animadores, naquelas novas máquinas tenho escolhido treinos de 60 minutos/ 500calorias e tenho-me saído bem.
Mas parece que só na classe dos infernos é que treino à séria, tendo em conta as dores do dia a seguir (aquelas que estou a sentir hoje), a bitola que me diz estar no caminho certo.
Ontem eu queria era abancar, mandar tudo pró coiso e tal, e chafurdar num prato cheio de calorias e molhos e pedaços crocantes e cenas papilo-gustativo-estimuladoras e de seguida dormir a sesta e engordar das orelhas ao dedão do pé...
Ontem eu estava disposta a imaginar que na segunda-feira iniciava a dieta das parvas e vá de me encher de proteínas durante o máximo de tempo possível, emagrecer a olhos vistos, brilhar durante 15 dias, ficar amarelada e cinzenta, dar-lhe forte nos legumes e nas salsichas de peru, delirar de que isto sim é que resulta, qual exercício e alimentação saudável qual quê, balelas, delirar que ficarei assim para sempre só à conta de ovos e fiambre de peru e gelatinas 30Kgcal e béu béu pardais ao ninho...
Ontem doeu-me a cabeça, tremi de frio, senti-me enjoada e tonta e picos de hipoglicémia com tremores e calafrios, tudo por esta ordem de chiliques, minutos antes da hora da classe... vi-me gorda das orelhas à ponta do dedão do pé... inchadinho a sair das sandálias lá para Junho e fui.
Oh se fui!
Oh se treinei!
E sim eu era a mais texuga da classe, but who gives a shit?
Oh se me esmerdei nas flexões e nos abdominais... oh e oh e ai e ui e fui!
E hei-de ir que eu cá não quero dedões gordos a sair das sandálias!
Pessoas, exercício e alimentação saudável e sobretudo, atentem nesta parte: equilibrada, EQUILIBRADA, TÁ-SE?
Quem tá comigo? Bora treinar, gente!
Seja a andar, a correr, a pedalar, bora treinar!
Seja no ginásio, à beira rio ou no quintal.
Ninguém quer dedões gordos na sandália pois não? Nem análises clínicas com níveis perturbadores, pois não, people?
Então bora, meus e minhas fixes! Bora lá!
A mim também me custa HORRORES, mas vou... de arrasto, mas vou... a dar chutos para o ar por a natureza não me ter sido favorável, mas vou... quem vem?
É que depois o sofá é tão merecido e sabe tão melhor. Digo-vos eu, que me esparramo ao comprido, qual lontra ao sol!
Bom fim de semana, pessoas!