24.11.14

Vai mas é etiquetar tupperwares, pá!

Eu tenho medo de fantasmas.
Acho-lhes alguma graça, é certo. Sobretudo se tiverem bom humor.
Agradeço-lhes que nunca me apareçam à frente, ou se o fizerem, que sejam tão discretos que eu nem dê pela sua presença.
Pior que fantasmas só há uma espécie mais assustadora.
Mães.
Profissionais.
Que passam domingos a etiquetar tupperwares.
Que vestem os miúdos com kits.
Que sabem o nome de todos os medicamentos infantis, e todas as versões genéricas.
Que olham para um bebé, para uma criança, franzem o sobrolho e adivinham a sua idade.
Que franzem o sobrolho. E fazem boquinhas e murmuram huns-huns.
Que praticam o desporto nacional mais popular a seguir ao futebol.
A Comparação.
Devia existir a Liga da Comparação Portuguesa.
Uma taça anual.
Mães que até na tirada de macacos do nariz ou na berraria do centro comercial denotam campeões nos seus petizes desde a mais tenra idade.
Nenhuma criança é melhor que as dela.
Mães que se prostram apoiadas numa anca e com uma cara de lambe cordeiros murmuram:" Tssss tssss o meu é bem pior... esqueça!"
Mães que se prostram apoiadas numa anca e com uma cara de lambe cordeiros murmuram:" Tssss tssss isso é tudo muito bonito, que amoroso... sim... mas o meu é incrível... faz isso e muito mais, nem lhe digo!"
Que apanham chuchas do chão e as chupam, sôfregas de micróbios, que não vão atingir os seus tesouros, ai não, e as enfiam em segundos, todas lambidas pela boca dos miúdos adentro... hã? pois.
Mães que fazem parte de grupos de mães, não todas (queridas amigas não se enervem comigo...) mas algumas.
Aquelas que normalmente sabem tudo, fazem de tudo, são doutoradas em opiniões, comparam, comparam, comparam, tudo e mais alguma coisa ao seu próprio umbigo.
Mães que vestem os miúdos com kits... ai esperem já me estou a repetir.
Mães que agradecem que os filhos das outras se estejam a portar mal para fazerem a sua catarse: " Pois a professora já me tinha dito, que assim como o meu, aqui na sala, só o seu...! Ele é sempre assim tão? Aaaah...!"
Mães que acabam frases com "Aaah!" e cara de lambe cordeiros.
Mães e kits... ai esperem, desculpem lá...
Mães e perguntas.
Mães que ou são parvas ou têm um défice qualquer no controlo da língua e não sabem estar caladas.
Mães que perante a birra das nossas crianças, agarram na sua com ares: "Ai vamos sair daqui que esses miúdos são uns malcriados!"
Mães que criam sonsos e sonsas, à sua própria imagem.
Mães.
Mães do tipo "páginas amarelas separador pediatras". Conhecem todos. Têm opinião formada de todos.
Mães que têm a capacidade de ter a casa sempre impecável, camas esticadas, lençóis bem entalados. lençóis a dar com as fronhas, a dar com a colcha, a dar com o cortinado, a dar com o kit de quarta feira... a dar com  a gravata do marido...
Mães que normalmente são esposas exemplares. Só o facto de serem esposas e não mulheres já são gente estranha.
Mães que agora já não vão gostar de mim porque entretanto vão ler isto e ficar a pensar que eu devo ser é parva de todo, desde quando um kit e sete tupperware(s) etiquetados são um problema, ó pessoa?
Mães que nos fazem sentir aquém de qualquer expectativa de que algum dia teremos um ínfimo da sua sabedoria.
Mães que arrrrrrrrrrg sabem de cor todos os trabalhos de casa dos filhos ainda a professora não os passou.
Videntes da boa educação e dos bons costumes.

Ando nisto.
Qualquer coisa que faço, penso: "Sou a pior mãe à face da terra!"
A começar pela pergunta que me eriça os pêlos e me estruge os miolos: "O que vai ser o jantar?"
Ou de manhã, quando não há camisas da farda passadas a ferro... ou saias da farda com a bainha em baixo ou isto ou aquilo...
Ai se eu fosse uma daquelas mães...
Apoiava-me na anca, franzia o sobrolho, murmuraria tssss-tssss, um dedo espetado e bradaria a mim mesma: "Vai mas é etiquetar tupperwares, pá!"

E os kits?
Ai os kits. Búuuuuu!

Boa semana, gente!

21.11.14

Diário de um ginásio, de uma marreca e de um disco que tem que tocar outra canção que esta já enjoa.

Então que desde Março decidi que alguma coisa tinha que mudar e que o prazo seria vitalício.
(Epá lá vem esta com a conversa da gorda que está e bláblábléu... pessoas, escolhi-vos. Estão aí, assim, mesmo à mão de semear... pensem, podia ser pior. Eu podia vir aqui dar-vos ensaboadelas esotéricas e frases de calendário com ursinhos... convenhamos era pior, não acham? assim sempre se podem juntar a mim e quem sabe, pessoas, fazermos a diferença?).
Continuando.
Estava anafada, gorda, inchada, uma texuga como nunca antes. Ainda não me esqueci da fotografia do antes, guardada para um dia vos mostrar e ilustrar aquilo que fui.
Decidi logo ali que não mais esta vossa amiga se ía pôr com dietas milagrosas. Yeeeeesterdaaaay`s goneeee! Todos sabemos como emagrecer 7 Kg num mês. Todos sabemos declarar a mesma guerra ao pão, à massa, ao arroz. Todos sabemos que se emborcarmos quilos de proteínas durante 30 dias a coisa dá-se.
Não era isso que eu queria. Yeeeeesterdaaaay`s goneeee!
Porque eu não quero ficar um saco mole. Uma banha a derreter. Cheia de peles suportadas por um interior de massas gordas só à espera de alento para voltarem a rejuvenescer. Um boneco Michelin, de encher, a quem tiraram o pipo e simplesmente esvaziou.
Não. Yeeeeesterdaaaay`s goneeee!
Assim como também não quero reduzir a minha essência a um prato sempre controlado ao milímetro e uma neura esfaimada de coisas boas. Já não vou para nova e a vida é demasiado curta para uma existência amarela e neurótica.

Isto era tudo muito bonito se eu não engordasse com o cheiro. Mas esse é um mal que me ataca à primeira snifadela de coisas boas. 1 Kg por mês só de cheirar. Acreditam?
Estou então decidida a provar a mim mesma que com cuidado, sem desvarios alimentares dignos de internamento urgente ou aspiradores na boca para sacar a comida ingerida à bruta, e muito exercício físico, eu vou conseguir encontrar o equilíbrio.
O equilíbrio. Don´t stop thinkiiiiing abouut tomorroooow!
Parece-me tão melhor que ficar magra demais e depois meio gorda e depois gorda e meia e depois deprimida e depois gorda outra vez, roda o palco, magra demais, sobretudo em Julho e depois meio anafada em Agosto, já naquela do quero lá saber até já estou bronzeada, e depois gorda até ao Natal e depois deprimida e chorosa no final do ano a jurar fechar a boca e ingerir apenas quilos de proteínas e depois inchada e depois magra e depois anafada e depois amarela e depois com cara de quem perdeu 10quilos mas ganhou 10 anos, e… roda o palco e o rabo gordo. Rabo gordo? Oh mon dieu de las banhas! E começa tudo outra vez.
Não. Yeeeeesterdaaaay`s goneeee!
Portanto tenho ido ao ginásio como nunca antes. Don´t stop thinkiiiiing abouut tomorroooow!
O grande desejo? Criar uma rotina de 4 vezes por semana. Já consegui 3 vezes e não vos digo o que isso tem feito ao meu humor.
A balança não tem sido minha amiga. Diz-me que estou muito mais pesada, como nunca antes, mas a roupa está mais larga. A história do músculo e da gordura… quero acreditar nisso, mas estes dias tenho tido muito mais apetite e está a ser mais difícil.
Ontem na aula dos infernos, em que me dei conta da marreca anafada em que me transformei pensei que teria um ataque de dores tal, que uma perna se me prendesse a meio de um exercício e eu ficasse num ângulo de 90 graus, empenada e sem me conseguir mexer, que teria que ser retirada em braços dali para fora.
Por mais que eu pense: “Vá Julie! Vá, pá! Vá lá!” Não dá! Don´t stop thinkiiiiing abouut tomorroooow!
Eu levanto uma perna, e outra, e outra, e outra e zuiiiiiing quase que me desequilibro e tento levantar mais uma vez e nada… nada… 2cm acima do chão, não dá mais… pareço marreca, desengonçada… todos aos saltos à minha volta e eu ali a tentar puxar um braço, uma perna e rodopiar e correr e fazer flexões e arfar e pensar ai qué desta, ai qué desta!
No outro dia estava eu de rabo para o ar a tentar fazer pranchas e uma perna à frente alternadamente, completamente esgotada, toda eu uma caso sério de cruzes, e quando dou por mim já toda a classe estava de pé a fazer outro exercício qualquer e eu ali, descabelada meio caída no chão a disfarçar uma prancha e foi um vê se te avias para me levantar de um salto sem mais cenas… tive outra vez 13 anos e uma borbulha gigante no meio da testa!
Estou nisto. Ninguém disse que ía ser fácil. Está mesmo a ser lixado. A lixa de grão grosso.
Don´t you look back!
Bom fim de semana, gente!