21.6.14

Como aterrorizar papás-fofo-piegas na festa do colégio

Ontem foi a Festa do Colégio.
Momento Família tão bonito e enternecedor.
Num espaço tão bem decorado para tudo ser perfeito.
Uma festa linda. Mais uma vez todos de parabéns.

Claro que nestas festas há um pormenor que muda tudo. E as transforma em momentos dignos de registo.
Estão lá famílias. Às vezes inteiras. Todos num objectivo comum, babar nas suas crianças.

Tudo muito bem. Estamos lá todos para o mesmo.

Há é alguns que estão mais que os outros. Pessoas que ocupam espaço. Pessoas que gravitam neste mundo não se apercebendo que à sua volta há mais pessoas, coisas a acontecer e que não estão isoladas. Não são únicas e o mundo não gira no seu sentido.

Pois claro que na nossa festa estava lá uma destas avantesmas. Uma senhora que achou que o melhor lugar para se estar era exactamente o mesmo por onde as crianças tinham que passar para entrar em "palco". Uma senhora "surda" para o mundo porque não ouviu as muitas vezes que as professoras pediram POR FAVOR que deixassem passar os artistas.

E lá estava aquela criatura quando pequenas bailarinas tentavam passar e a mulher nada, sentada no meio do chão. Sentada, as miúdas a quererem passar e a mulher sempre com o braço à frente a puxar a sua neta, (ERA UMA AVÓ, são piores que as mães, benza-as Deus!) aquele braço à frente das pequenas bailarinas, e ela nada, o mundo era apenas ela e a neta.

Nos entretantos, um puto decidiu fazer "A" birra aos meus pés. Na boa. É normal os miúdos quererem invadir o palco. Este só tinha 2 anos, ninguém lhe leva a mal. Mas a birra estava a ficar feia e o pai, um daqueles pais cheios de paciência, que tenta explicar o mundo a recém nascidos, que faz da psicopedagogia infantil um lema de vida, tentava em vão dissuadi-lo. Tudo aos meus pés. Na boa. Era dia de festa.

O Gil entretanto topou a avó que continuava esparramada no meio do chão:

- Opá mas a mulher é surda não ouve?

E a birra aos meus pés, e o pai-santo-paciência-infinita tentava controlar pelo diálogo fofo-piegas o diabrete de 2 anos. Na boa. São os meus pés. Mas é dia de festa. Na boa.

- Opá mas a mulher é surda não ouve?

E eu cheia de graça, mulher da piadola fraquinha mas na ponta da língua, achei por bem dizer ao Gil que giro giro era ele chegar ao pé dela e zuca:

- Epá dá-lhe uma sapatada na mão! Trás!

 Não preciso dizer-vos quem olhou para mim horrorizado, agarrou na criança, que esperneava aos meus pés, e se pirou dali para fora, pois não?

Aterrorizei o papá fofo-doçuras-todo-ele-paciência... e este até me dava os bons dias quando nos cruzávamos na escadaria do colégio... Uma sapatada na mão! Caraças pá!

Sabem aquela sensação "opá porque é que eu não estou calada?" Não era uma sapatada na criancinha birrenta... opá...o mundo a girar e um pai a olhar para mim de soslaio... opá... a ver se aprendo a estar calada... até à próxima...

Bom fim de semana, pessoas!

16.6.14

O futebol e o cutelo

Não gosto de futebol. De tudo o que gira em redor do futebol.
Está dito.
Não tenho qualquer interesse por este campeonato ou por outro qualquer.
Pretendo viver na ignorância todo o próximo mês e não saber nada de resultados, intrigas, cuchichices de futebol.

Excepto no talho.
Hoje entrei no talho.
Aos berros podia ouvir-se o rádio sintonizado no relato.

- Boa tarde.

O Sr do talho de cutelo em riste diz-me:

- Hoje parece que a tarde não está a ser boa prá gente!

Tráaaaaaaaaaas! Cutelada à séria no naco de carne! Tráaaaaaas!

De soslaio olha-me e aguarda a minha reacção fadista da dor...

- Pois parece que não... de facto... pois!

E pronto, no talho nem me atrevo a debitar teorias sobre a minha aversão ao futebol.. aceito resultados, baixo os olhos, olho em redor e suspiro como se estivesse e viver momentos de grande aflição e dor pelas derrotas futebolísticas de uns meninos demasiado vaidosos, demasiado ricos, demasiado mimados... tudo por causa do cutelo... se não fosse o cutelo...

E por falar em cutelo, hoje até que era um bom dia prá gente... Tráaaaaaaaaaas! Cutelada à séria em quem eu cá sei...

Fui gente! Não falarei mais de futebol. Fui! Boa semana, tráaaas!

9.6.14

A vida vista por um cabide e o regresso do Afonso.

Eu já sei de que lado da barricada me encontro desde o dia em que o teste deu positivo e soubemos que daí a 9 meses o nosso estatuto mudaria para sempre.

A nossa relação com o sofá também nunca mais foi a mesma.

Nada de novo. Já todos sabemos no que isto dá depois de uma noite de amor caliente, passarinhos e vinho tinto (do bom!).

Tudo bem.

O mundo gira nesse sentido.

Até ao dia em que me sentei no sofá da escola e aguardei junto com o Gil que nos chamassem para irmos entreter pequenas crianças numa manhã de partilha e família.

E então eu soube.

E então eu vi a vida por um cabide e coloquei-me para sempre do meu lado da barricada.

E então eu vi uma mãe a chegar com a sua criança e o bibe da sua criança.

E eu vi a minha vida toda por um cabide. Uma filha. Um colégio. Uma empregada. Uma hipoteca. Duas filhas. Dois colégios (entendam duas facturas do colégio!) Adeus empregada, até um dia… adeus minha linda… eras uma mentirosa, mas até limpavas a casa… adeus bye bye…

Não foi só a minha relação com o sofá que mudou desde o dia em que fiz aquele xixi e ainda sentada na sanita partilhei com o Gil a felicidade de irmos ser pais. 
(Nota: sentada na sanita porque com os nervos fiz mais que um xixi…)

Foi toda a minha relação com a vassoura, o aspirador, o crystal klean para os vidros, o stoplarexbrilhex  para a gordura, o brilháqui para o pó, o smelllikerainbows para o ferro de engomar e o camandrex fodex de minha videx enquanto doméstica… enquanto mãe, profissional e dona de casa sem empregadex…

Aquela mãe chegou com o Bibe num cabide… passadinho a ferro… engomadíssimo… esticadinho… assim sem uma ruga… 

E eu olhei para o Gil e o Gil olhou para mim, e vimos a nossa videx deste lado da barricadex… suspirámos e ali ficámos sentados à espera que nos chamassem.

Depois chegou um pai. Com o seu filho pela mão. Um bibe… e … UM CABIDE!

E então eu olhei para o Gil, o Gil olhou para mim e vimos a nossa vida por um cabide.

Pessoas… aqui deste lado lavam-se os bibes… dão-se-lhes três sacudidelas bem dadas… penduram-se de facto num cabide… vistas as coisas também temos momento cabide… para que sequem rápido… e de manhã serem só agarrados por uma ponta e soltarem-se à bruta do cabide… CABIDE ESSE QUE NÃO, NÃO VAI CONNOSCO NO CARRO… fica apenas ali a baloiçar na corda… ZUC ZUC ZUC… 

Na pressa amarfanha-se o bibe debaixo do braço, junto com a mochila da escola, a lancheira, o saco dos lençóis, 2 mochilas de ballet, 2 casacos, mala da mãe, carteira do pai, chaves de casa, chaves do carro, 2 crianças, botões do elevador, maçanetas de portas (PORQUE ESTAMOS NA PRIMAVERA!) e com sorte chega à porta da escola sem ter sido pisado ou ter feito todo o caminho com alguns quilos em cima.

Chegados à escola mais três boas sacudidelas e voilá pequenas petizes de bibe vestidas!

Depois… bem depois o mundo, o universo, coloca-nos perante o pai do cabide e nós sabemos que devíamos ter bebido outra garrafa de vinho naquele dia dos passarinhos e do amor caliente porque nunca mais nada vai ser o que foi!

Nem mesmo a visão de um inocente cabide… 

Afoooooooooooonso! Bora,  temos que ir ao blog! Não vais acreditar nesta cena… há de facto pais e mães que levam o bibe no cabide… Afooooooooooonso!

E assim regressámos.

Que bom ver-vos gente, boa semana!