19.11.13

Aquele momento.

Aquele momento em que a tua pantufa se enrola no tubo do aspirador e tu quase tropeças e na ânsia de agarrar a pantufa com o pé aquela puta de merda salta, tu enfias o pé no meio do emaranhado tubo-pantufa -gato vindo não sei de onde-tapete-aspirador, estatelas-te no chão, naquele momento em que, enfaixada no pavimento flutuante com os queixos no chão e a pantufa-puta-de-merda ali, mesmo ao pé do teu nariz. Sabem?

Aquele momento em que com o nariz a pingar imploras que te deixem estar por 5 minutos sossegada, e em vez de te deixarem sossegada a dominar a cascata que te jorra pelas narinas te pedem mil coisas: “Ó mãeeeeeeeeeeeeee! Ó julieeeeeeeeeeeeeeeeee!”E ainda te acusam de seres uma descompensada que por tudo e por nada gritas feito louca! Aquele pingo ali a pender das narinas, aquela comichão infernal entre a entrada do nariz e o mundo desconhecido por ali acima nas fossas nasais, um espirro eminente, aquela comichão… Ó mãeeeeeeeeeeeeee!... Ó julieeeeeeeeeeeeeeeeee!... aquele espiiiiiiiiiiiirrrrrrrrrTCHUUUUUM ATCHUUUUUUUUUUUUUUUM! PORRA PÁ. Ranho por todo o lado. Sabem?

Aquele momento, PELO QUAL NINGUÉM QUER PASSAR! ISTO DIGO-VOS EU! Em que sentadas na sanita, a fazer o que a natureza vos programou para fazer, percebem que a vossa filha de 6 anos abriu a janela, AQUELA JANELA COM O PUXADOR QUASE NO TECTO, AQUELA JANELA QUE JÁ TANTAS VEZES ESTUDADA VOS ÍA DAR MAIS UNS ANOS DE DESCANSO… AQUELA JANELA,  onde a vossa filha está agora debruçada a gritar e a chamar pelo pai, que da rua julga que eu estou por trás… E EU, ESTA QUE VOS FALA, está sentada na sanita, na retrete, no trono real, aos guinchos, enlouquecida e que sabe que decisões difíceis têm que ser tomadas e levanta-se, ASSIM MESMO (e esta parte fica à vossa imaginação, caras pessoas! Ó se fica!) e corre pela casa, aos berros, tresloucada, e salva a filha de se estatelar lá em baixo. Sabem? Isto nem queiram saber. É de endoidecer o Dalai Lama. Esqueçam esta!

Aquele momento em que cheias de fome, após estarem horas a cozinhar um pitéu, decidem provar o cozinhado e, LAMBONAS QUE SÃO, ABOCANHAM  a colher de pau e queimam a língua, e ANULAM qualquer hipótese de pelo menos nesse dia qualquer refeição vos saber bem ou na melhor das hipóteses tudo o que comerem nesse dia vos saber a cartão prensado. Sabem?

Aquele momento em que a senhora da Remax acredita piamente que a casa que estão a visitar está com fantasmas e começa a correr escada abaixo e já na rua com a chave encravada na fechadura do portão vos roga: “Não ME DEIXE AQUI sozinha!”. E vocês em vez de acalmar a senhora riem com ar de Beetle Juice. Sabem?

Eu sei.                                                                                                                                                       

E assim de repente, reparo em mim um pouco mais BeetleJuiciana.


Boa semana, minha boa gente. 


13.11.13

Ilustração do post anterior


Crianças e Gatos em 5 minutos.

Sábado de manhã: pessoas pais, pessoas mães, pessoas com gatos, não pestanejem, livrem-se de o fazer... então se ainda não tiverem batido as 07h00,  nem um suspiro e pestanejos etsão completamente, COMPLETAMENTE, fora de questão... eles ouvem, crianças e gatos ouvem pestanejar, pestanas contra pestanas, mesmo com olhos fechados, basta um leve pestanejo que logo, logo terão crianças e gatos em cima... antes das 07h00 da manhã. Nota: Isto não se aplica aos dias de semana, só ao fim de semana e é certinho, ó se é!

Idas à casa de banho:  pessoas pais, pessoas mães, pessoas com gatos, se querem ir à casa de banho sozinhas, em silêncio e concentração absoluta, conduzam durante duas horas até encontrarem um mato qualquer no meio de nenhures, porque cocós sozinhos isso já era, ó se era! No meu caso, tenho crianças que esperam que eu me sente no real trono para me mostrarem tudo, partilharem comigo mil coisas e ainda me filmarem, como já aconteceu... Um dia que vejam um filme com uma pessoa sentada na sanita a disfarçar e a a dizer à criança sai daqui miúda com essa camara, sou eu, não duvidem, sou mesmo eu... e normalmente saem porta fora e ralam bem nos meus pedidos para fechar a porta... as crianças e os gatos... tenho um que sabe abrir portas, odeia portas fechadas e faz questão de abrir a porta de cada vez que me sabe sentada no realissimo sem capacidade de defesa... e esse também não fecha a porta... e eu para ali fico, sentada, porta aberta, intimidade zero...

5 minutinhos no sofá é tudo o que eu peço:  pessoas pais, pessoas mães, pessoas com gatos, se querem 5 minutos no sofá, 5 minutos de sossego, apanhem o avião para a Nova Zelândia, as horas de vôo serão esquecidas assim que aterrarem num sofá por 5 minutos. Sentada no sofá há 45 segundos e já levei com um cotovelo na barriga, com um pé na cara, já gritei mil vezes que parem, que o sofá não é um trampolim ou já perdi 1000 Kgcalorias à conta do agitar frenético e da gritaria que não há lugares marcados  e que eu sou a mãe e sento-me onde muito bem entender! Se calha as crianças desandarem dali para fora aparecem logo 2 gatos, um decide que o meu cabelo precisa de um bom esfreganço e pimba pimba pimba não pára de me afocinhar a guedelha até eu lhe dar um safanão e o outro decide que é hora das festas e não para de me babar as mãos e esfregar os bigodes o mais que pode nos meus dedos com muita turra e ronronar até ao safanão final: "Epá 5 minutos, putos, 5 minutos é tudo o que eu peço!"

E quando eu entro na banheira e penso agora é que é, aparece logo o paizinho com uma criança ao pendurão: " Opá sujou-se toda... chega-te para lá que temos que lhe dar um duche...! Ou então até consegui o belo do duche em sossego e mal saio da banheira quase que fico sem toda a dentição frontal à conta de evitar pisar um gato,  que à sucapa,  para ali está a ver-me sair do banho e que por milimetros eu evito cair-lhe em cima.

5 minutos, minha gente, 5 minutinhos... Nem à refeição, porque normalmente alguém se lembra ou de enfiar uma mão toda em molho e restos de massa pelo cabelo ou a aflição de ir à casa de banho pára tudo e em 5 minutos que se queriam de sossego só se ouve: "ÓOOoooooOOOOOOOOOoooo mãeeeeeeeeeeeeee já fiz cocó!"

E sim, a caixa da areia dos meus gatos está na marquise, que no nosso caso é uma mini, mini marquise que quase se confunde com a própria da mini, mini cozinha, e não eu ainda não percebi esta coisa dos gatos irem à casa de banho de cada vez que me lembro de trincar qualquer coisa na cozinha... ai vais comer? então espera lá que eu vou já ali à minha caixa fazer um cocó! Miiiiaaaaaaaaaaaaaau!

5 minutinhos, será pedir muito? Pessoas pais, pessoas mães, pessoas com gatos, no nosso caso é, ó se é!

Boa semana, gente!

8.11.13

A zenhora do café e a minha mania de explicar constatações que não interessam a ninguém ou "zzzá te calavazzzz" ou entrei definitivamente na meia idade ou já me calava de facto! e sim adoro pastilhas trident fresh... das brancas!

A zenhora do café é de uma terra onde as pexoas falam axim. 
A zenhora do café fala mezzzmo mezzzmo axxxim.
Troca os esses por xis e ainda dá aquela sonoridade zzzzzzz às palavras.
Ezzzztão a ver?


A zenhora do café ezzztá formatada para servir bolozzz dazz 8:00 àzzz 18:00. Fazzer contazz e dar trocozzz.
Eu, que estou desformatada desde mil nove sete seis, decido ir comprar pastilhas trindent fresh verdes ( as unicas que eu gosto!).


- Bom dia!

- Bonzzzz diazzzz. Qué que vai zzzer?
- Quero um pacote de pastilhas trindent fresh verdes mas das brancas.
- Hã? verdezzzz mazzzz brancazzz? 
- Sim, se olhar com atenção...(ó Julieta pela tua rica saúde a zenhora está ali para trabalhar não repara em nada a não ser na registadora e nas converzzzazzzz dozzz colegazzz pá!)... há pacotes em que a pastilha é branca e noutros verde!
- Tzzzzz! tzzzzz! oizzzzza é dezzztazzzz verdezzzz? tzzzz tzzzzz
- Sim, olhe aqui... 

A zenhora do café ficou com aquele ar de taxista de registadora, meio de lado, com o olhar de soslaio e o lábio em modo " só aqui falta o palito".


- Tzzzz! tzzzz!


E eu fiquei com aquele eco na cabeça "cala-te... la-te... te!"


- Sabe, é que as verdes são moles e espapaçam na boca e as brancas...

- Xim, xim, ezzzztá muito bem...

Adeus ó vai-te embora!


Eu às vezes dava bom material para posts. Se a zenhora do café tivesse um blog eu lá estaria como "a perita em pastilhas"!
Mazzzz ela, ó ela, xerá xempre a rainha dos xxxes e dozzz zzzzes!

E o colega dela? Gordo, arfante a quem também já debitei algumas teorias:

- Oraaaaaa muuuuuuuiiiiiiiiitoooooo boooooo diiiiiiiiiaaaaaaa arf arf arf! o queeeeee é que vaiiiiiiii seeeeeeeeer? Arf! Arf!
- Quero um pacote de pastilhas trindent fresh verdes mas das brancas.

Arf, arf, arf, aaaaaaaarf!

Aturo-me? Tem dias!

Fui, preciso de abastecer o stock de pastilhas... trident fresh verdes mas das brancas!

Bom fim de semana, minha gente!

6.11.13

A vida é como um jogo da Nintendo ou como o Super Mário Bros me tem guiado na vida!

Sou uma medricas. Sempre fui.

Ai que faço. Ai que aconteço. Mas isso é depois. Quando já me passaram todos os achaques e mariquices.

Para fazer qualquer coisa é todo um tormento. Descabelo-me. Tenho ataques de pânico sem os ter. Transpiro. Vou mil vezes à casa de banho. Fazer pinguinhas, nem sai nada… Desisto. Descabelo-me. Descabelo os outros. Normalmente o Gil. Antes era a minha mãe. Às vezes até os gatos. Ai que não consigo. Ai que não sou capaz. Ai que não. Ai que nem tento. Ai e se depois? E se? Se?

Bom, estão a ver o filme de classe C em que eu por vezes me enfio e protagonizo o papel principal, não estão? A diva da desgraça mais desgraçada, mais franciscana, mais pão e água, pão duro e água lamacenta? Estão a ver? Pois…

Há uns anos foi com o carro. Tirar a carta foi canja, passei a tudo à primeiríssima. No dramas! Pior foi quando já tinha a carta na mão. Infernizei os dias à minha mãe! Ai que nunca vou conduzir, ai que sou uma lontra e as lontras não nasceram para conduzir, ai eu isto, ai eu aquilo, ai que serei velha e ainda irei no 17 para a praça da Figueira, ai, ai, ai! Um inferno! Depois fiquei com o “Queijolas”, o mítico Peugeot 205, da minha irmã. Novo drama. EU NÃO VOU SOZINHA POR AÍ FORA. EU, A CONDUZIR? Infernizei o Gil, dei-lhe conta da paciência. E mantive-me fiel ao 49 para a Universidade. Até ao dia. Até ao dia em que de manhã em frente ao espelho vi uma parva. Nesse dia fiz o caminho igual ao autocarro. Garanti que se me arrependesse, estacionava e apanhava o fiel 49. Não foi preciso e nunca mais larguei o carro.

Ver a vida como um jogo da Nintendo. Primeiro é difícil passar o 1º nível. Ficamos para ali horas agarradas áquilo. Tic tic tic tic e nada. Depois lentamente lá vamos passando os níveis e saindo vitoriosos.

Pois então comecei a guiar-me pelos ensinamentos do Super Mário e juntos temos vindo a passar alguns níveis.

Com a conversa de ontem e com a entrega do diploma amanhã tive que ir buscar esta minha força virtual e pensar que de facto temos que arriscar. Só que custa tanto, tanto! Dá tanto trabalho…

Da última vez que arrisquei lá me safei. Nessa altura tinha acabado de ter a Rosarinho. Ainda com dores do parto lá fui a uma entrevista e fiquei. Percorri milhares de quilómetros e durante anos tenho feito algo que gosto mas não me preenche, no entanto paga as contas. Mal, por estes dias, mas paga!

Amanhã recebo um diploma e tenho terror de avançar. Tenho um medo… fico petrificada só de pensar em fazer alguma coisa e à minha volta vejo gente a fazê-lo com o maior dos à vontades e sem nunca se ter esforçado por aprender ou fazer melhor, fazem e pronto! E eu para aqui com teorias…

Tic tic tic tic, um nível tic tic tic outro nível… tic tic tic… tic tic tic…

Dias difíceis, gente, dias de decisões e muito cu encolhido por estes lados… tic tic tic tic tic!A ver se consigo passar outro nível... tic tic tic...

Boa semana, pessoas! Vou ali debitar iguais teorias sobre o Tetris e ver se encaixo ideias.

Até já!


5.11.13

Hoje estou que não me aturam. E ontem já estava assim. E amanhã não sei.

A minha vida está naquele impasse merdoso: “E agora vou para onde?”

Na quinta-feira recebo um diploma. Mais um. Não que eu seja uma suprassumo diplomada. Aliás, a bem da verdade, os meus diplomas são uma coisa fascinante que eu tenho na vida mas que não me têm levado muito longe. E eu não tenho sabido o que fazer com eles.

Ora ontem estava eu no talho a aguardar a minha vez, pacientemente, e a senhora a ser atendida dizia perentória. “Veja lá isso, tire-me as orelhas ao coelho, não quero levar nada disso…”

- Ó minha senhora quais orelhas?
- Opá esses buracos… tire-me isso tudo!
- Os ouvidos?

Eu ria. O homem do talho esfrangalhava a cabeça do coelho. A mulher garantia que não levava para casa canais auditivos do coelho.

Hoje no carro contei este episódio ao Gil e conclui. O mais interessante do meu dia tinha sido a carnificina no talho. A cabeça do coelho trás, trás, trás, o homem do talho com o cutelo em riste e a senhora a debitar teoria sobre buracos e orelhas.

Preciso de um par de chinelos e de um pijama. Hoje ainda tenho que ir a casa estender camisas. Conto cozinhar almondegas para o jantar. Com massa. Daquela que parece rabos de porcos. Os dias passam.

Estou outra vez no talho a rir-me. A rir-me. Que interessante é a minha vida. Se calhar devia ver televisão. Sempre me ria de alguma coisa com sentido ou sem sentido nenhum. As orelhas do pobre do coelho. E eu para ali a rir. “Olhe dê-me aí uma caixa de almôndegas sem orelhas”!

Um amigo da loja insiste em contar-me todas as virtudes e proezas dos seus filhos e da sua mulher, eu ali fico a ouvir, a ouvir, a ouvir, perco-me nos meus pensamentos de estendais e panelas e esfregonas…

- Viu ontem a minha filha na TVI? E anteontem na RTP?

Eu nem sei quem é a filha desta criatura que olha para mim espantada quando eu aceno que não, não vi, aliás nem a filha dele nem ninguém. Eu pouco vejo televisão. No máximo enlouqueço o Gil com o meu zapping frenético e concluo que não dá nada de jeito… OPÁ A QUE HORAS DÁ “OS PORTUGUESES PELO MUNDO”? Segui tudo e agora não sei quando dá e já não temos aquilo a gravar… aquilo é o MEO! Oh MEO Deus!

E eu no talho. E eu ao pé do fogão. E eu a estender roupa. Viu a minha filha? A brilhante e linda, a minha filha? E as orelhas do coelho! Tire-me isso tudo! Zapping, zapping, zapping e nada de jeito. Nunca nada de jeito.

Ai serei só eu com esta neura outunal “lá se foi o verão e agora vem o frio e mais um ano de trabalho que não motiva ninguém e pardais pardais pardais”? Serei? E o que faço eu com outro diploma? Zapping?

Ai gente… que neuuuuuuuuuuuuuuuuuura pá!