12.9.12

Bibliotecária ou funcionária da repartição 1983, “jamé”!

Não uso óculos, preciso, mas não uso. Por um qualquer mistério as armações fazem-me um formigueiro insuportável no nariz e rapidamente deixo de os usar. Já ganhei uma ruga de expressão de tanto franzir o olhar para focar melhor. O uso de lentes não se justifica, porque ainda não é uma falta de vista à séria.
Este verão comprei uns óculos de massa, daqueles bem nerd, sem graduação, só para armar. Até que me ficam bem, mas aquele formigueiro.

De vez em quando faço destas, compro coisas que acho que me vão dar algum estilo, porque se há alguém neste mundo com falta de estilo, com todo um élan digno da mais croma das bibliotecárias, sou eu.

Não há hipótese, baixa, mamas assim pró grande, barriga, qualquer saia mais travada me faz parecer uma funcionária da repartição dos idos anos 80.

A isto ainda juntamos um cabelo, que não é liso, não é encaracolado, é volumoso, muito volumoso.

Durante anos e anos não quis saber disto para nada, era nova, não tinha rugas, nem cabelos brancos, e todo o dinheiro extra que tinha investia sempre no meu maior vício e prazer, velharias, móveis e objectos, até ficar com uma arrecadação a rebentar pelas costuras e sem sítio para pôr nem mais um alfinete.

Maquilhagem nunca usei, excepto no dia em que casei, mas confesso que agora me apetece. O ar amarelo com que acordo no inverno ainda me deixa mais deprimida.

Ter uma pequena criança que às vezes me pergunta: “Vais assim?” Faz-me acreditar que realmente já se nasce com uma noção de estilo, e ela tem-no, e gosto por se vestir e arranjar, não foi comigo que aprendeu.

Em dias mesmo deprimentes, daqueles em que qualquer calça de ganga e qualquer parte de cima me serve, cruzo-me inevitavelmente com as mães mais estilosas da escola, há uma que até vestidos coleantes e sapatos agulha usa, fresca que nem uma alface logo às 9 da manhã, mamas de silicone bem enfiadas num decote generoso. É certo que está sempre na iminência de se estatelar pela escadaria do colégio abaixo, mas o raio da mulher está sempre assim impecável, como é que aguentam estar assim o dia inteiro? Hirtas dentro de um vestido apertadíssimo e em cima daquelas plataformas? Eu às 9 da manhã já estou knockout, entre afazeres doméstico e criancinhas birrentas de sono.

ARRRRRRRRRGGGGGGGGGGGG! Isto foi o mais perto do grito do Ipiranga que consegui! Estou decidida a mudar, até já ando a ver vídeos no you tube para aprender a maquilhar-me, e digo-vos que tenho encontrado pérolas dignas da melhor comédia nacional, até há uma miúda que é a pirosa e diz olá pirosas, dá conselhos de maquilhagem a partir do seu quarto, uma maravilha!

A falta de dinheiro é que é uma grande chatice, por agora vou ter que fazer muito com muito pouco, o Passos Coelho com aquela mania: “ Ai que vou saquinho na mão ao supermercado!” Com aquele ar suburbano, retira-me tudo até ao tutano e não julgue agora ele que eu vou andar com este ar de repartição 1983 porque sua excelência decidiu que temos todos que assumir este ar de Massamá de Cima. Levaste-me o dinheiro mas não me levarás o glamour, “jamé”!

E a dica para esta semana, neste esforço colectivo a que nos obrigam, em jeito de ajuda-o-teu-governo-a-governar-este-país bem podia ser. “Ó Passos, enfia lá a cabeça no saquinho do supermercado e aguenta lá sem espernear para ver o que te acontece! Pois, estás a ver que sufoca? É mau para a pose e a para as rugas! É basicamente o que sentimos todos quando enfiamos a cara nas contas que nos envias todos os meses!

E agora ainda vamos ter que sobreviver a tudo “feios”? Sem estilo, “mamalhudos” (que também os há!) Não! Estou portanto num processo de valorização pessoal, darei notícias!

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