20.1.14

Se preciso fosse.

E é. Infelizmente é. É necessário e urgente assumir uma posição porque há quem não tenha percebido.
Há quem não tenha percebido o que é isso do amor. Entre duas pessoas.

Há quem não tenha percebido o que é isso do amor entre duas pessoas que querem partilhar esse amor criando, educando e amando uma criança, ou duas, ou três.

Feliz da criança que possa ser fruto do amor de duas pessoas especiais. Feliz da criança que tenha em casa um porto de abrigo. Feliz da criança que saiba o que é um colo. Feliz da criança que possa usufruir de tudo isto em dobro. Feliz da criança que cresça, que parta pelo mundo e que nunca perca o norte. Que saiba sempre onde voltar. Que tenha sempre dois abraços fortes onde se aninhar.

E quem somos nós para dizer “Não, não podes!”? Quem somos nós para achar, que duas pessoas que se amam, que se sentem capazes, que estão dispostas, que farão tudo, tal e qual como fizeram por nós, e tal e qual como fazemos todos os dias pelos nossos filhos, não estão à altura?

Eu sou mãe de 2 crianças, não sei o que o futuro me reserva, lhes reserva, não sei que pessoas as minhas filhas serão, não sei que caminhos vão elas escolher, mas uma coisa sei, porque estou aqui agora. Vão caminhar na vida sabendo o que é o amor e a partilha.

Oiço, pais e mães, perguntarem: “Então e depois na escola? O que vão os outros miúdos dizer a uma criança que tenha dois pais ou duas mães? Vai ser gozada, vai sofrer…”

Não, não vai. Quem vai sofrer é quem tiver sido educado sem amor, solidariedade, compaixão, partilha e segurança. Quem vai sofrer é quem receba o mundo de forma distorcida. Quem vai sofrer é quem não perceba o mundo livre. Quem vai sofrer é quem seja toldado para a ignorância.

Cabe a cada um de nós transmitir aos nossos filhos que a “normalidade” somos nós que a fazemos, que devemos estar atentos e sermos responsáveis por não formatar o mundo à nossa própria imagem, somos todos diferentes e todos temos o direito de usufruir de um mundo saudável, com pessoas conscientes do outro, ainda que o outro não seja o nosso reflexo de perfeição.


Ainda que seja um passo tão pequeno, hoje é um dia bom. Para todos e, em especial, para os nossos filhos.
Esperamos então que lá da Assembleia da República venham bons ventos.

Boa semana, pessoas!


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