21.2.13

Ai posso, posso!


Um velhote estaciona em frente à GARAGEM do meu prédio. Vai para o Continente comprar bananas e quando se digna a voltar, chama-me incoerente. Não havia lugar quando ele chegou e não foi de cerimónias e estacionou ali mesmo. Defende-se dizendo que não tem nada que saber que ali é uma garagem, e torna a chamar-me incoerente perante as minhas queixas de estar ali há séculos à espera que sua excelência comprasse as bananas, eu e mais 3 carros. INCOERENTE! Engulo. Nem boa tarde, nem boa noite, adeus ou vai-te embora!

Uma velhota na rua agarra-me o braço e pergunta-me se é segunda-feira ou terça-feira. Respondo e em segundos os meus olhos estão pregados no bolso do casaco da baralhada senhora. 3 Dentaduras reluzentes espreitam a minha cara de qué-lá-isto? Bhlaaaaac! Olho para a boca e outra dentadura reluzente agradece-me a informação. Saio dali a pensar se esta senhora com um ar inocente anda aí a fanar dentaduras… hum, baralhou-se com os dias, pode bem ter-se baralhado com as dentaduras que se foram cruzando no seu caminho. Então boa tarde. Boa tarde! Bhlaaaaac!

Entram na loja e fazem-me uma pergunta. Respondo. Como não respondo o que querem ouvir ou o que imaginavam ser a resposta negam a minha resposta e insistem. Na, na, na, isto é assim…Respondo. Insistem. Respondo. Insistem. (BuuuuuuuFO) Respondo. Tornam a insistir. (FODAhífenSE) Calo-me. Insistem. Faço má cara. Insistem. Viro as costas. Tornam a perguntar. (1, 2, 3…inspiraaaa) Finjo que não oiço. Então boa tarde. Boa tarde! Irraaaaaaaaa!

Uma pessoa. Simpática. Fala. Fala muito. Estridente. Com mil histórias para contar e partilhar. ESTRIDENTE. Blá, blá, blá! ESTRIDEEEENTE. Aguento e sorrio. Esta pessoa não quer ouvir nada do que eu tenha para dizer. Quer apenas uma ouvinte. Blá, blá, blá. ESTRIDENTE. Entusiasma-se a falar dos filhos… já das noras… ESTRIDENTE! Aguento… aguento… aguen… até quando aguentarei? sos… SOS… aguento… ESTRIDENTE… Nhó, nhó, nhóoooo! Então boa tarde. Boa tarde! Irraaaaaaaaa!

Faço uma visita a uma casa. Vazia. Contencioso. O que não prestava ficou. Avanço casa dentro. Comichão… Acendo e apago luzes… Comichão… Tiro fotografias…Ai queres ver isto! PULGAS! Comichão! Comichão 3 dias a seguir de comichão! Muita comichão… mais não fosse só pela sugestão! Argggggggggggg!

Uma senhora na loja quer comprar um lenço dos namorados. Entra e tem 3 à escolha. AI este não eu quero! Não tem erros! Ah ah ah Ah Ah Ah AH AH AH Ah ah ah Ah Ah Ah AH AH AH! Acho que cheguei mesmo a rir com sons de porco! Ah ah ronc, ronc, ah, ah! A senhora olha para mim com aquela cara de terei-entrado-nalguma-associação-de-ajuda-a-malucos-e-não-dei-por-nada-ou-esta-mulher-está-a-beira-de-um-ataque-de-nervos? Contei-lhe da história da Mulher Irada II e dos erros nos lenços dos namorados! Ah ah ah Ah Ah Ah AH AH AH Ah ah ah Ah Ah Ah AH AH AH! Não percebeu lá muito bem, mas aceitou a minha barrigada de riso! Ronc, Ronc, ah, ah, ROOOONC!

 Posso? E eu posso, pessoas?

Perante isto, pergunto: Calmantes? Ioga? Putas e Vinho verde? Caminhadas a pagar promessas? Porrada no lombo? Inspirar e expirar? Contar até dez? Blasfemar? Meditar? Gritaaaaaaaaaaaaaaar?

Posso? Ai posso, posso. Porque vivendo num país onde existe “Um Pessoa Relvas” no poder, E POR LÁ SE MANTEM (COMO? COMO?), então posso. Ai posso, posso!


4 comentários:

  1. É por essas e por outras mais que não consigo deixar de fumar e comer pasteis de nata!

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  2. Bolos. Muitos bolos. Ou heroína, mas os bolos saem mais baratos.

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