20.6.13

Em modo estalactite.

Uma mãe, quando ainda não o é, olha para os bebés que passam, olha para o seu marido (ou companheiro, ou companheira, ou um qualquer espécime humano com quem coabite em união seja lá de que credo for) e pensa: “Ai tão fofinhos e amorosos e tal… opáaaaaaaaaaaaa, vamos lá fazer um!”

E é aqui que começa a grande viagem para a Outra Dimensão. Em que uma mãe passa a ser quantos filhos tem.

Uma mãe começa por fazer um xixi e tentar acertar num cotonete grande chamado de teste de gravidez, salpica tudo, fica para ali naquele impasse: “puxo as cuecas, não puxo as cuecas, deixo-me ficar aqui à espera do resultado, puxo o autoclismo, ai senhores, que nem me mexo, ai, ca nervos pá, será que o meu xixi é suficiente, será que se me espremer bem espremida sai mais um bocadinho de xixi e… E de repente já passou o tempo e com sorte fica ali mesmo a certeza do enrolanço dos últimos meses.

Uma mãe passa nove meses a ver-se crescer. A ver os milagres da natureza. A sentir o que é ter uma “pessoa to be” na barriga. A coçar essa barriga. A fazer mil xixis. De manhã. À tarde. À noite. Leva pontapés. Sente soluçar (Ah que confusão me faziam os soluços das minhas filhas quando ainda estavam na minha barriga!). Imagina a criança “mai linda do mundo” que aí vem.

Uma mãe, um dia, sente um estalido, uma água, e sabe que está prestes a conhecer o inquilino dos nove meses. Uma mãe aguenta estoicamente enquanto um pai tem uma vontade imensa de ir à casa de banho quando devia era estar a ir a caminho da maternidade.

Uma mãe descabela-se em cima de uma marquesa numa box para parir a criança mai linda que já se viu!

Uma mãe passa horas a tratar e a cuidar de alimentar, limpar rabos sujos, sugar ranhos, baixar febres, de dia ou de noite.

Uma mãe até brinca. Inventa histórias. Canções. Faz desenhos.

Uma mãe grita: “COmaaaaaaaaaaaaaaam pá! Comaaaaaam, p.o.r  F.A.V.O.R! Comaaaaaaaaaa! Já!” Centenas de vezes. Pensa desistir. Deixar de educar. Isso é que era bem mais fácil. Uma mãe sabe que isso não é sequer uma hipótese, portanto descabela-se e educa!

Descabela-se e educa. Educa e descabela-se. Na maioria das vezes fica apenas a sensação do descabelamento total. T.O.T.A.L!

Uma mãe sobe no elevador com a vizinha dos olhos de rata, com olhares reprovadores que de soslaio parecem dizer: ”Não achas que gritas demais com as tuas filhas?”. Uma mãe manda a vizinha à real merda só com um olhar e vai à sua vida.

Uma mãe é tantas coisas. Uma mãe vive noutra dimensão. Numa dimensão paralela. E parece mesmo que ninguém dá valor e é tão cansativo, tão desgastante.

Uma mãe às vezes só quer fazer a mala e ir à sua vida. Uma mãe nunca vai. Está cá sempre.

Sempre, sempre, sempre. Descabelada, nervosa, irritadiça. Mas sempre cá.

Há dias mais difíceis. E hoje é mesmo um desses dias. Portanto este é o primeiro post sério aqui do estaminé. Preciso de férias gente! Precisamos todos, não acham? Ai que neura pá! Mais o São Pedro e os seus humores! Parece que amanhã já teremos calor, venha ele, venha ele, que isto hoje está em modo estalactite.


Até amanhã.

4 comentários:

  1. Pelo que li (já não é o primeiro post) acho que és uma grande mãe.

    Gosto dos teus postes não sei bem porquê. A tendência é não ter pachorra para ler postes enormes. Mas adoro as peripécias que nos apresentas :)

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  2. Ai caraças que as férias grandes nuuuuuunca mais chegam. Quero ir para casa dos meus pais !!!! Quero abrir o frigorifico e beber coca cola ! Quero ver a She-ra depois da praia !

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  3. Comer bolas de Berlim porque dietas só voltam a tema de conversa depois do Natal!

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